domingo, 4 de dezembro de 2016

O Tirsense: Estamos em tempos de mudança

O Tirsense: Estamos em tempos de mudança Ó meu rico S.João!Ilumina os maioraisQue só querem construçãoE já há casas a mais!Poderá faltar o pão?E a saúde aos demais?Ó meu rico S.João!--Que se deixem de arraiais!

sábado, 3 de dezembro de 2016

O fim do blog

Este blog vai acabar no dia 7 de Dezembro, dia em que completa nove anos.
Existe uma cópia dos "posts" no endereço  http://otirsense2016.blogspot.pt/  mas "O Tirsense" será apagado.

Quanto ao fim para que foi criado, contribuir para diminuir o "déficit democrático" em Santo Tirso, contribuir para a liberdade de expressão, é uma finalidade que se mantém, não tem fim à vista!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1 de Dezembro

Hoje comemora-se a Restauração da independência de Portugal, é dia feriado. O governo anterior tinha abolido esse feriado, uma patetice que se insere na demagogia que usou para disfarçar o indisfarçável: foi buscar dinheiro para pagar os juros da divida portuguesa aos mais pobres e a novas dívidas. Herdou do governo Sócrates uma dívida de 80% do PIB e deixou-nos uma dívida de 130% do PIB. Gestão danosa, difícil de consertar sem abordar o verdadeiro problema: os juros que Portugal paga aos "mercados", quando os deveria pagar ao Banco Central Europeu, pois 0,05% em vez de mais de 3% faria toda a diferença, seria possível vir a pagar a divida -- aquilo que não interessa aos mercados, que querem os juros!
Restaurar a independência, em 2016, é pôr em causa o artigo 123 do Tratado de Lisboa. Já!
https://pt.wikipedia.org/wiki/Restaura%C3%A7%C3%A3o_da_Independ%C3%AAncia

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel até ao fim

http://www.u-s-history.com/pages/h1766.htmlFiel à ideia de libertar o seu povo. A sociedade de consumo, criada pela oligarquia internacional, venceu.
Fidel Castro derrubou o ditador Baptista, nos anos 50, mas não foi aplaudido pela política externa americana, que só derruba os ditadores que atrapalham os negócios dos donos do dinheiro. Para ela Pinochet também não era preciso derrubar, ou tantos outros.
Mas ainda não havia uma alternativa ao capitalismo, que só esta era do conhecimento, da informática, do Internet, permitirá que nasça. Cuba inseriu-se no movimento dos países não alinhados mas só encontrou apoio no bloco socialista, manchado pelos crimes de Stálin.
Este galego, sozinho contra a História por estar antes do seu tempo, é amado pelos cubanos apesar das medidas desesperadas que tomou. E estes têm a simpatia do mundo, dos 99% que empobrecem apesar do progresso científico e técnico, daqueles 99% que são manipulados para acreditar que não haja alternativas ao capitalismo mundial.
É tempo de acordar, de as criar.

A Geringonça faz hoje um ano. Está de parabéns mas terá que fazer um orçamento em que o Serviço Nacional de Saúde seja uma prioridade, pelo menos repondo as verbas cortadas pelo governo anterior e, sobretudo, terá que ter a coragem de pôr em causa o artigo 123 do Tratado de Lisboa, que deveria ser referendado e não foi. Esse artigo proíbe o Banco Central Europeu de emprestar dinheiro directamente aos Estados, que ficam nas mãos "dos mercados", o BCE apenas pode emprestar aos grandes bancos, a uma taxa de zero vírgula qualquer coisa, os quais, depois, podem emprestar às taxas que quiserem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"Pissed off"

Os americanos estão fartos de saber que elegem agentes dos donos do dinheiro, estão fartos. Deram-lhes um papão para que dele fugissem e eles adoptaram-no, elegeram o tal papão.
Seja como for, até o Obama estava nas mãos da "oligarquia internacional", é difícil não reconhecer que os nossos "governos representativos", eleitos, representam uma oligarquia, cada vez menos bem escondida.
Donald Trump obedecerá, como os outros presidentes, ao poder dos donos do dinheiro, mas representa, de facto, os indignados, os desesperados. Os americanos apenas tornaram visível o disparate que é o sistema em que vivemos, governados por banqueiros com o rabo de fora.
O "isolacionismo americano"? Não o vão deixar fazê-lo, mas seria bem-vindo. Perguntem aos sírios se vivem melhor depois da intervenção americana a favor da "liberdade", com a ajuda dos fundamentalistas islâmicos. Ou aos líbios, ou aos iraquianos...
É certo que o homem é doido mas acaso a política externa americana tem sido sensata?
Nada mudou -- mas antes mudasse!
Aqui fica a entrevista de Bernie Sanders à CNN, depois das eleições

sábado, 29 de outubro de 2016

Celebremos!

"O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp´rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade."
in "Mensagem" de F. Pessoa

Deixo aqui este e-mail, que recebi da Avaaz, porque ver a nova "sociedade do conhecimento", ou informática a nascer (ou já a crescer!), ver o que é possível as pessoas fazerem, é uma alegria que deve ser partilhada:

"Queridos amigos da Avaaz,

Em meio a tanta escuridão presente em nosso mundo, a Avaaz está brilhando sua luz -- tivemos quatro vitórias incríveis nas últimas semanas!

- CONVENCEMOS governos a ter como meta proteger 30% dos nossos oceanos!

- ACABAMOS com a carreira de um dos políticos mais corruptos do Brasil!

- AJUDAMOS a criar a maior reserva marinha do mundo no Pacífico!

- BARRAMOS, finalmente, a mega-fábrica da Monsanto na América do Sul!

Isso tudo em questão de semanas paralelamente à campanha para impedir que Trump seja eleito! Ninguém vai conseguir parar nosso movimento -- vamos manter essa energia! Veja mais detalhes sobre cada vitória:


Uma meta global para proteger 30% dos oceanos!

Todos achavam que nossa campanha por 30% de proteção dos oceanos era irreal, exceto os cientistas. E usando as assinaturas de um milhão de membros da Avaaz como arma, entramos nas negociações e conseguimos tirar os principais bloqueadores, como o Japão, do caminho. Apoiamos o pequeno país-ilha Palau, falamos diretamente com os principais países que podiam influenciar a decisão, conquistamos a imprensa, e... GANHAMOS bonito ... com 89% dos votos
A chefe da delegação de Palau disse -- “Ficamos emocionados em ter o apoio de 1 milhão de membros da Avaaz de todo o mundo.”


Derrotando um dos políticos mais corruptos do Brasil

Informantes, e até mesmo jornalistas, avisaram-nos que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, era um peixe muito grande para pegarmos. Mas nós nos recusamos a ser intimidados e mais de 1,3 milhão de pessoas exigiram que o Conselho de Ética cassasse Cunha. Quando seus aliados tentaram impedir a votação, nós revidamos: entregamos nossa petição diretamente ao Congresso, inundando as figuras-chave da votação com telefonemas, mensagens diretas e em suas redes sociais. Chegamos até a mirar publicamente nos parlamentares que estavam blindando Cunha. Cunha foi forçado a renunciar e, em seguida, o Congresso o deixou inelegível por oito anos! Agora ele foi preso!
Um parlamentar campeão de causas anticorrupção, deputado Chico Alencar, disse: "Se não fosse pela pressão da opinião pública, não teríamos vencido. Quero agradecer e parabenizar todos vocês."


Criando a maior área protegida do planeta.

Nossos oceanos estão passando por sérios problemas. Por isso, quando ouvimos que o presidente Obama estava pensando em criar uma reserva marinha *gigante* no Havaí, um milhão de pessoas assinaram a petição e milhares enviaram mensagens. Para influenciar ainda mais a decisão de Obama, entregamos nossas mensagens em reuniões importantes, organizamos protestos chamativos com crianças (isso ajudou a ganhar a imprensa!), e lutamos contra algumas comunidades que queriam dificultar a decisão do presidente Obama. Em questão de dias, ele assinou o documento que transformou o projeto de reserva em lei.
O diretor do Global Ocean Legacy, Matt Rand, disse que as “1,3 milhão de pessoas que assinaram e as dezenas de milhares que enviaram mensagens tiveram suas vozes ouvidas na Casa Branca e foram uma grande parte dessa vitória."


Adios, Monsanto!

A gigante Monsanto tinha acertado um negócio daqueles para construir uma mega fábrica na Argentina, mas as comunidades locais decidiram lutar e nós unimos forças. Juntos, fomos de porta em porta, lançamos pesquisas mostrando a enorme oposição local ao projeto, ajudamos a eleger um conselho municipal de oposição, encontramos com a Monsanto no tribunal, e ampliamos o movimento local com um milhão de assinaturas em todo o mundo. A Monsanto foi forçada a abandonar o projeto.
Uma ativista local das Malvinas, Celina Molina, disse: “Hoje celebramos a vitória da nossa longa batalha que compartilhamos com o movimento global Avaaz .... A Monsanto tem apenas uma opção: voltar para casa"
Ainda não está satisfeito? Confira as dez maiores vitórias da história da Avaaz e nossos 100 destaques favoritos. É uma miscelânea das conquistas do poder popular.
Juntos, não apenas enfrentamos as forças de ódio e separação em nosso mundo. Estamos promovendo uma visão de esperança, passo a passo construindo o mundo que todos queremos. Porque, no final das contas, apenas o amor e a esperança podem derrotar o ódio
Com muito amor e gratidão por este movimento incrível,

Ricken, com Alice, Ben, Emma, Pascal, Mais, Camille, Dan, Mike e toda a equipe da Avaaz "



A Avaaz é uma rede de campanhas global de 44 milhões de pessoas
que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global
 influenciem questões políticas nacionais e internacionais.
("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas).
Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta 
e a nossa equipe está espalhada em 18 países de 6 continentes, operando em 17 línguas.
Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Lisboa revisitada

Sentei-me na soleira da porta do torreão poente. Escrevo no telefone, embora tenha comprado um caderno na velha papelaria Vidal, onde desemboca a Rua dos Douradores, por 55 cêntimos. Não imagino o Bernardo Soares a comprar papel, aproveitava o que sobrava dos embrulhos, e assim.
Se, agora, aparecer um desses papéis, marcado L. D. , dá para pagar um quarto e para comer durante uns meses largos.

Os turistas, essa gente determinada a ver o que os guias recomendam, quais alunos a quem um exame espera, têm um ar prazenteiro. De alguma forma sentem-se em casa, em Lisboa. Flanam com tempo, há muitos sem máquina fotográfica.
Jovens com ar desportivo ou velhos que arrastam os pés, todos cumprem uma tarefa, porém.

Agora instalei-me no anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian para escrever um pouco, ditando para o telefone.
Quando passamos dos 90 anos ficamos num tempo e num espaço intermédio. Falava eu de liberdade e ouvi isto: "liberdade, liberdade, fica cada um para seu canto e não tem graça nenhuma!"
Quem sabe se a nossa obsessão com a liberdade nos não trouxe a solidão?
Somos livres, sim, livres de escrever para leitores imaginários textos egoístas que nada lhes dizem. As crianças continuam a brincar, é provável que a vida continue...E é certo que nós passamos.

A vida consiste em breves momentos; São raros e breves e deixam uma memória pouco clara mas todos temos breves momentos em que nos sentimos vivos. Momentos. O resto do tempo entretemo-nos a fazer o que nos manda o senso comum, às vezes com grande convicção!
Vivos, vivos, só o estamos em breves momentos, espaçados de anos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Não confie nos blogs, leitor

 
 Este, por exemplo, entusiasmado pela notícia de hoje de que o blog “Câmara Corporativa” recebia 3500 € por mês para defender o governo de José Sócrates e, depois, para atacar o de Passos Coelho (graças à “ generosidade financeira do benemérito Santos Silva”), deixou de lado os princípios e dirigiu-se à Geringonça reclamando um justo subsídio. Eis a resposta recebida:

Caro blogger

Como sabe, impossibilitados, pelos partidos que nos apoiam, de subir as taxas moderadoras na saúde, verbas essas habitualmente destinadas ao marketing dos governos, optámos por centrar a nossa política de subsídios aos blogs naqueles que apoiam o Dr. Pedro Passos Coelho, sem o qual a Geringonça não teria nascido e sem cujo apoio contumaz enquanto líder da oposição ela não teria sobrevivido.

Por outro lado, a Câmara de Santo Tirso não precisa do apoio dos vereadores do PCP e do Bloco e tem, assim, uma verba para subsídios de marketing muito superior à nossa, dispondo mesmo de publicações próprias, pelo que o aconselhamos a contactá-la.

Sensibilizados pelo seu apoio

Cordialmente

A Geringonça

Reflecti, então. Quando nos recusam um subsídio tornamo-nos “sérios”, atacamos a corrupção e coisas assim. Fez-se luz no meu espírito: se houvesse um número considerável de vereadores de esquerda na Assembleia Municipal, quiçá a Câmara não conseguisse desbaratar tanto dinheiro dos contribuintes na sua própria publicidade?
É assim que aconselho os leitores a votar bem nas próximas autárquicas: em tudo menos no PS, que nem mesmo sabe apoiar financeiramente os blogs que defendem a Geringonça!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

        VI
        OS COLOMBOS

https://mythicalgreece.wordpress.com/2011/04/14/athena/
Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.

2-4-1934
Mensagem. Fernando Pessoa. 
Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 
(Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972).
 - 65.
A deusa Athena queria que a cidade lhe fosse dedicada e ofereceu-lhe a oliveira. Sabe-se que foi a escolhida e que as ânforas de azeite que os atenienses vendiam pelo Mediterrâneo fora (até mesmo à longuínqua cidade bem para lá das colunas de Hércules, fundada pelo divino Ulisses, também ele protegido pela donzela) lhes trouxeram a abundância, condição para criarem uma civilização; que ainda hoje é a nossa raiz da Arte e da Ciência.
A "Donzela", "Palas" Athena, simbolizada pela coruja, vê longe. Estratega, sabe aplicar a inteligência na prática, inteligência alargada ao interesse geral, sabedoria. É, ainda hoje, o símbolo da Justiça. Guerreira, só usa a força raríssimamente; mas as causas que defende, por justas e razoáveis, sempre vencem.

Hoje, invoco silenciosamente a sua protecção para a Organização das Nações Unidas, para que esta não caia nas garras do "Eurogrupo", dos políticos lacaios da oligarquia que manda no mundo. Que a coruja inspire os vencedores da segunda guerra mundial, que ainda controlam a ONU, a escolher o melhor, neste caso um português. Guterres, pelo nome, deve ter antepassados timorenses, simbolizando o universalismo da nossa gente: além do mérito dele, óbvio, há o mérito de uma civilização, a nossa, e a sua eleição alegrar-me-á ainda mais que o golo do Eder;-)

Última hora: 17:26
E eis que, agora, será difícil, como sempre, ir contra a vontade da deusa. Mas esperemos por quinta-feira.



E deixo aqui um documentário que é prova suficiente de que, pelo menos desde há uns 40 ou 50 anos, voltámos a ser um país criador de civilização. Fernando Pessoa dizia que não é por acaso que Lisboa e Atenas estão aproximadamente à mesma latitude; o nosso mediterrâneo é o Atlântico!
E aqui fica a visão que António Guterres apresentou aos representantes das Nações Unidas 
e ainda como, à saída, se apresentou aos jornalistas, ao mundo

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Perguntaram-me se acredito no Pai Natal

No meu tempo era o menino Jesus quem trazia os presentes mas os meus Pais não tiveram coragem de negar que eram quem os comprava.
O pensamento infantil é subestimado pelo senso comum, exactamente porque é desprovido de senso comum: é bom senso!

O sorriso de uma cria humana de uns meses é, para mim, um vislumbre do paraíso. Beleza é termo pouco, trata-se de um projecto que todos tivemos e que o tempo nos foi diluindo: a confiança nos outros, a vontade de viver com eles e, com eles, criar o paraíso na terra.
O sorriso dos primeiros meses diz, simplesmente: cheguei, estou morto por começar a fazer da terra um paraíso!

Alguns de nós esquecem-se, outros desistem mesmo, a “realidade” das sociedades humanas pede que se não traga o coração aberto por aí.
Pedirá? Ou pede exactamente o contrário?

O dilema é se será preciso criar, antes, a abundância para todos os humanos, para que confiem uns nos outros, ou se será preciso esquecer a aprendida desconfiança para que haja abundância?
Trata-se de uma tarefa, a de recriar a confiança perdida, é para essa tarefa que aqueles sorrisos chegam, convidando. A sabedoria que procuramos nos velhos, encontram-na estes nos mais novos; basta ver como conversam, a confiança que partilham, os sorrisos que iluminam os sítios mais escuros, mais amedrontados.

Estamos em tempos de mudança. Saímos do paraíso há cerca de oito mil anos, começamos a semear, a plantar e a criar animais. Isso trouxe a necessidade de contratar alguns “selvagens” que ainda não conheciam as novas técnicas (ia dizer “tecnologias”, como ora se diz, mas é uma palavra feia) e de lhes dar a tarefa de nos proteger de outros “selvagens”, os que vinham roubar a nossa produção; tão só porque ainda não dispunham do novo conceito de “roubo”: estavam-se a servir à mesa da mãe terra.
Eramos cinco milhões, há dez mil anos; foi graças à agricultura que hoje somos sete milhares de milhões.
Antes da agricultura os recursos eram partilhados, não havia celeiros e salgadeiras, fazia-se uma festa e comia-se tudo! Depois veio a organização, a poupança, a ganância e a guerra. Ficou a memória do paraíso.
Os que o queremos recriar ainda somos minoria, tratados como gente que acredita no Pai Natal. Queremos usar a ciência e a técnica, a nova “sociedade do conhecimento”, a “robótica”, para criar o paraíso, um planeta aprazível para dez milhares de milhões de humanos, livres e “sinédicos”. Criei agora esta palavra, assim como “simpático” quer dizer que comunga a dor dos outros, “sinédico” comunga o prazer.
Que nos impede? Apenas ainda não termos chegado ao número mágico do limiar. Não se trata de uma maioria numérica ou da força das armas (coisa a esquecer): o limiar é uma tomada de consciência colectiva que tornará impossível voltar ao tempo em que se "ganhava o pão com o suor do rosto”. 

Nunca acreditei no pai Natal mas acredito no que em nós há da criança que fomos.
Nota: sinedónico parece-me melhor!
http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/ctl/clisci10k.html

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Um abraço, Dilma!

Consumou-se o golpe político parlamentar no Brasil.  Uma Presidente eleita pelo povo é substituída por um indivíduo que não tem direitos políticos durante 8 anos (consequência de "doações" que fez com dinheiro do Estado) mas que vai passar de presidente interino a Presidente, escolhido por senadores que, também eles, estão em processos por corrupção. Políticos 2 -- Povo 0!
Não apenas a "democracia" brasileira, o sistema político e os políticos saem desprestigiados, mas também a Justiça brasileira.
O lado interessante disto é a clareza com que os brasileiros -- e o Mundo! -- podem ver a necessidade de refazer a democracia, podem ver a ineficácia, em termos de poder do "demos", do povo, dos sistemas representativos parlamentares e a necessidade de criar a democracia directa.
Dilma vai recorrer, na esperança de reabilitar a Justiça brasileira, apanhada nas malhas da oligarquia e dos seus lacaios políticos.

Sexta-feira, 2 de Setembro: Anatomia do golpe, um artigo de Joana Mortágua, elucidativo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Um bastonário sensato

O bastonário da Ordem dos Médicos, ontem entrevistado na RTP, disse o que os portugueses adormecidos deveriam gritar ao governo: Porque é que ainda não acabou com o corte à verba orçamentada para a Saúde, um erro político que este governo já deveria ter corrigido?
Trabalhos encomendados pela Organização das Nações Unidas, já aqui referidos, deram-nos a conhecer, há anos, que o investimento na saúde é aquele que tem maior impacto para tirar um país do subdesenvolvimento, para aumentar a riqueza e o bem-estar de todos. É o investimento prioritário.
A média dos países europeus, ainda baixa, é de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a saúde. O nosso está bastante abaixo da média, sobretudo desde que o governo anterior escolheu sacrificar o futuro de Portugal para obedecer aos “mercados”. Acontece que o nosso PIB é muito baixo e o orçamentado para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é insuficiente; este teria que ser, para evitarmos o subdesenvolvimento, uma percentagem do PIB superior à média europeia de 6,5%. Mas o bastonário limitou-se a pedir esses 6,5% do PIB, para evitar o colapso do SNS.
Os “mercados”, que controlam a informação, não se cansaram de nos dizer que havia corrupção no SNS, desvios dos dinheiros públicos; e de sugerir que as clínicas privadas, inacessíveis aos mais pobres, seriam a “solução". Pois bem, controle-se a corrupção -- como tem sido feito -- mas não se junte uma nova perda de verbas, cortando ao orçamento do SNS. Em vez de ser uma "solução", as insuficiências orçamentais têm levado, por exemplo, o SNS a contratar médicos privados para funções indispensáveis -- por três vezes mais que o que custam no SNS. Não se chama a isto estupidez, chama-se gestão danosa! É o cínico argumento da poupança usado para desviar dinheiro público para as clínicas privadas, para os seus accionistas.

A desigualdade de rendimentos está estatisticamente relacionada com todos os problemas sociais – doenças, número de homicídios, de presos, etc --  e isto foi demonstrado há mais de sete anos. Combater a desigualdade de rendimentos é o assunto prioritário de qualquer política, de esquerda ou de direita. Ora, pedir aos cidadãos que façam um seguro médico é aumentar a desigualdade e é faltar ao respeito pela Constituição, erro que a “geringonça” já deveria ter corrigido – deveria ter reposto as verbas para a saúde no primeiro dia, porque se trata do mais importante, simplesmente.

O Bastonário da Ordem dos Médicos repetiu a mensagem com clareza, para acordar cidadãos e governantes adormecidos. Oxalá consiga, merece o nosso apreço e gratidão.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Jornal de Santo Thyrso de hoje informa-nos do novo alento do velho projecto de edificar um novo edifício para o Hospital Público (projecto prometido pela ministra Leonor Beleza).
Cautelosamente (a geringonça continua a temer os lobis da medicina privada), apenas se fala de um edifício complementar, sem que o actual fosse destinado a outra coisa. É que o Estado paga uma renda à Misericórdia, a quem o edifício foi devolvido (em vez de expropriado) e a Misericórdia, sem essa renda, teria a vida dificil -- perder-se-iam votos, o motor das obras! Mas é claro que seria menos oneroso para o Estado e mais prático para os serviços fazer um Hospital novo, com todas as valências no mesmo local e livrando-se o Estado dessa renda.

Vamos, porém, ser optimistas (ou ingénuos!) e ver na notícia um recuo do poder político das empresas privadas de saúde, que têm direito constitucional a existir, mas que têm sido beneficiadas pelo Estado de forma chocante. É uma situação análoga à das escolas privadas, em que o Estado constrói uma Escola Pública mas continua a pagar à escola privada da zona, com quem tinha um contrato, por não haver, ali, uma escola pública, mesmo depois de a construir: é a conhecida submissão do poder político ao poder financeiro.
Mas o Hospital é uma boa notícia! O projecto tem razão de ser --há doentes!-- e resistiu aos interesses privados que o atrasaram durante tantos anos.

Pretende servir, também, a Trofa e Famalicão. Do ponto de vista de Santo Tirso é um equipamento, tem influência no Urbanismo da cidade, chama-a para onde for edificado.
Escrevi, há anos, um artigo no Jornal de Santo Thyrso, "A Cidade Desnorteada", em que falava do indesejável crescimento para Sul da cidade e da necessidade de construir equipamentos na margem Norte do rio, para a chamar para lá, para a encosta virada ao Sol, onde ficam todas as nossas cidades, como Lisboa, o Porto ou Coimbra. Santo Tirso começou à volta do Mosteiro, na margem Sul, obedeceu ao primeiro grande equipamento que foi feito, o parque D. Maria, um passeio público localizado para usufruir da vista, também na margem Sul, depois o velho Hotel Cidnay, perto do parque, para os turistas do Porto que nos visitavam, o Liceu -- e o urbanismo estava lançado para Sul!
Apesar de a burguesia do século XIX ter construído as suas casas em Além-do-Rio, perto da Estação, são os equipamentos quem leva a cidade atrás, não a habitação. E veio o Mercado, sempre para Sul, os Correios, o novo Cine-Teatro, as novas instalações da Câmara, o novo Tribunal -- afastando a cidade, cada vez mais, do seu centro histórico, que é o Mosteiro.
A zona industrial, por exemplo, localizou-se muito a Sul, ao que dizem em terrenos comprados prevendo a grande valorização que teriam, vendidos ao Município para esse fim. Há uma contradição entre urbanismo e especulação, que espero seja resolvida a favor do urbanismo. Um Hospital deve ter boa exposição solar e ficar numa zona arborizada, não muito longe do centro histórico da cidade. No caso de Santo Tirso, deve ficar na encosta a Norte do rio, contribuindo para corrigir o excessivo crescimento para Sul, que descentrou a cidade. Oxalá esta seja a opinião pública -- e as pessoas tenham, como nos foi prometido, influência na escolha da localização do Hospital. Afinal, este é o tempo da "geringonça" e trata-se do futuro da cidade.
A distância entre a Estação de caminho de ferro e a Central de camionagem (que, idealmente, ficariam juntas) mostra a necessidade de levar o crescimento para Norte.
Alguma coisa foi feita nesse sentido, nos últimos anos: a nova ponte e o percurso pedonal para o parque da Rabada e, na margem Sul mas ainda perto do rio, a utilização pública da antiga "fábrica do Teles" e o restauro do museu Abade Pedrosa, com o novo museu de escultura ao ar livre. Espero que o Hospital seja um bom projecto, funcional, e que ajude a cidade a recentrar-se no Mosteiro, estratégia urbanística correcta, que foi apresentada ao Presidente Jorge Sampaio, quando cá veio, e que espero continue a ser seguida.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Fada Madrinha

Era uma vez uma fada madrinha que só tinha seis afilhados, uma menina e um menino, uma mulher e um homem e um velho e uma velha.
A velha nada lhe pedia para si, pedia juízo e saúde para os netos e a fada dava, tendo o cuidado de não dar juízo demais, não concordava com a velha, muito juízo não faz bem às crianças.
O velho pedia-lhe juventude e a fada era parcimoniosa, também, muita juventude não convém à velhice.
A mulher pedia-lhe beleza, que a fada dava, mas receosa pela afilhada—a beleza em demasia é fardo grande!
O homem pedia liberdade e força física e a fada sofria por ele não pedir responsabilidade e força espiritual.
A menina nada lhe pedia, agradecia tudo. 
E o menino só lhe fez um pedido, que a deixou receosa, também. Pediu-lhe o dom da escrita, a arte de contar histórias de encantar.

Enquanto pensava se lhe concederia o dom, a fada contou-lhe uma história, na esperança de o fazer desistir da escrita, que lhe parecia coisa perigosa para as crianças.
Contou-lhe que, num reino longínquo, morava um lavrador que não sabia amanhar a terra e passava o tempo a ler e a escrever. Pensava ele que haveria de vender livros e que compraria o pão que não semeava. Escrevia de dia e tinha falta de papel, de tinta e de comida, abundância de dor. Mas o homem acreditava que a dor é a semente dos livros, que é preciso sofrer muito para escrever bem. Portanto escrevia, regava a sua dor, que ia crescendo, crescendo—mas não dava frutos.
Um dia meteu-se a caminho da cidade, à procura de um editor que lhe saciasse a fome.
Mas a dor que o lavrador escrevia nada dizia aos citadinos que compram livros—assim pensavam os editores que visitou. Houve um que gostou de o ler, porém, e lhe ofereceu uma boa refeição em troca dos manuscritos. Faminto, o escritor aceitou.

A fada, aqui, hesitou muito, enquanto o menino pedia que acabasse a história. Deveria dizer-lhe que o lavrador morreu de fome? Que o editor ficou rico com o que publicou?
Ou que o lavrador foi trabalhar nas obras e o livro nunca foi publicado?
A fada olhava para o afilhado cheiinha de compaixão e decidiu acabar a história assim:
O lavrador disse ao seu benfeitor que aceitava a proposta mas que lhe fazia outra: se o livro se vendesse bem, o editor dar-lhe-ia de comer todos os dias e ele continuaria a escrever para ele. Nada tendo a perder, o editor aceitou.
Agora, restava à fada o mais difícil: para que o lavrador continuasse vivo, ele teria que ter o dom da escrita, aquilo que o menino lhe pedia. Se ela desse ao afilhado o dom da escrita, iria ele para uma vida de pobreza, ele que tanto queria escrever?
A deontologia das fadas não lhes permite interferir no que as pessoas fazem com os dons que lhes são dados. Podia dar ou não dar...
Decidiu dar e, também, um bocadinho do juízo para os netos que a velha lhe pedira—na verdade dava mais ao menino que aos netos dela. Mas isto a fada não contou. As fadas não têm que se justificar aos seus afilhados, já se sabe.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"A Vida é uma Luta"

Eu digo antes (e sabendo dos anti-corpos contra os "burros que falam línguas") "La Vie est un Jeu"; o verbo jouer, en francês, tanto quer dizer jogar como brincar -- a vida é um jogo lúdico, inocente.

As palavras pouco importam, decerto que temos que lutar pela sobrevivência, pela nossa e pela dos outros, mas o que interessa está para lá da sobrevivência, "l'important est invisible aux yeux", como a raposa ensinou ao principezinho de Saint-Exupéry, que amava uma rosa, no planeta dele. L'important c'est la rose.

Podemos chamar "luta" ao jogo que jogamos, constantemente, com o animal que também somos e que queremos integrar, como um cavaleiro que quer ser um com a sua montada, a qual adivinha os movimentos que lhe pede, idealmente. O cavalo sedento atravessa o ribeiro a galope porque sabe que o cavaleiro sabe da sua sede e dela trata -- no seu devido tempo! Confiam um no outro.
O cavaleiro que está em luta com o cavalo malha no rio se o cavalo tiver sede.

Podemos chamar "luta" ao difícil trabalho de aprender a montar, ou a viver, mas aprende-se melhor se for uma brincadeira -- coisa muito séria para as crianças, aliás, mas bem diferente de uma luta, das coisas sem graça que a acompanham, o orgulho do vencedor, a humilhação do derrotado, o ódio ao adversário, a ansiedade, a angústia, o medo de perder... tristes coisas, essas!

É mais bonito jogar com fair play; e a arte é aquilo que interessa, aquilo que fica. Porque está fora do tempo, mora no "mundo das ideias".

terça-feira, 26 de julho de 2016

Despeça o barbeiro, Monsieur le Président!

Vi, há pouco, na televisão, um senhor que dizia que Portugal é o único país da União Europeia em que os muçulmanos não têm dificuldade em se integrar. É bom ouvir um português (que deve ter apreciado o golo do Eder como os outros), que, por acaso, é muçulmano, fazer essa justiça à nossa cultura, a que costumam chamar universalista mas que é, simplesmente, uma que põe o coração no centro, que é o lugar dele. Somos civilizados sem dar por isso, não nos concebemos a discriminar minorias -- embora a estupidez exista entre nós, existe menos... gosto de pensar assim!
Ao seu lado, também a responder ao locutor, um padre católico, que usou a palavra "primário" para as atitudes irracionais que têm, por exemplo, as claques de futebol, ou as pessoas que se deixam levar pela propaganda xenófoba crescente.
Os terroristas não são bons muçulmanos, são pessoas que merecem mais a nossa compaixão que os que mataram -- esses já estão ao abrigo de "primarismos". Neste tempo de máquinas electrónicas como estas que nos unem, leitor, podemos fazer uma analogia dizendo que uma pessoa que escolhe ser terrorista (temos sempre escolha, bem difícil, por vezes) é uma pessoa que está "avariada", que tem um vírus que a afasta da harmonia universal que é o funcionamento que nos interessa ter.

E há uma epidemia. Portugueses sensatos, pessoas amigas, deixam-se levar pela xenofobia de forma primária, não discriminando entre terroristas e muçulmanos normais, imaginando o perigo onde o não há... é bem verdade que o medo é aquilo de que devemos ter medo;-)

Oxalá (palavra que vem do árabe, de inshallah, literalmente "que seja a vontade de Deus"), ou mais cristãmente, Deus queira que o senhor na televisão, que deve ser o equivalente a um padre, no Islão, tenha razão, e Portugal tenha resistências naturais a essa epidemia. Porque ela é perigosa.

As nossas democracias estão mais doentes que estavam quando o sr. Hitler conseguiu cerca de 30%  de votos e manipulou o primarismo (que sempre existe) de um povo de filósofos, de matemáticos e de músicos para chegar a ditador e matar milhões de pessoas inocentes.

Nem só os americanos, que gostamos de tratar com condescendência, correm o risco de eleger um xenófobo perigoso, o sr. Trump. Marine Le Pen pode ser a próxima presidente de França, por inépcia dos democratas, tão "primários" como os outros. Seja falso ou verdadeiro, corre em França que François Hollande tem um barbeiro presidencial, com um salário de sete ou nove mil euros por mês.
Leve a epidemia a sério, monsieur le Président, olhe que já há quem diga que a Marine, pelo menos, não teria um cabeleireiro pago pelos contribuintes -- esquecendo que o sr Hitler também era inteligente, também sabia manipular emoções e ganhar os votos mais "primários".

Despeça o barbeiro, Monsieur le Président!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

De Sophia de Mello Breyner Andresen, em 1977:

LISBOA

Digo:
“Lisboa”
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver


e de José Prats Sariol, em 2014:

Simple theosophy
"¿Si Fernando logró conversar en 1914 con Eça de Queirós, muerto catorce años antes; y también, varias veces, con Luís de Camões (1524-1580); por qué no va a revisar mi poema Lisboa, medio siglo después?" —se dijo Sophia de Mello Breyner, mientras subía por el elevador de Santa Justa en la vieja Lisboa, con rumbo desconocido.

Um texto sobre Lisboa, já agora

quarta-feira, 13 de julho de 2016

palestra/debate

Recebi este e-mail que anuncia uma palestra/debate com um tema interessante:

"O jornal NOTÍCIAS DE SANTO TIRSO convida V.ª Ex.ª para uma palestra/debate subordinada ao tema "Democracia Representativa, Democracia Direta e Desenvolvimento Urbano", que promove na noite da próxima sexta-feira (dia 15 de julho), a partir das 21.00 horas. A iniciativa, moderada pelo jornalista Augusto Pimenta, tem como oradores convidados os Drs. Rui Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal de Santo Tirso e Miguel Rossi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Santo Tirso (ACIST), realiza-se no auditório do edifício-sede da ACIST, em Santo Tirso. A entrada é gratuita."

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eder

Os pequenos podem ganhar aos grandes. Este é o estado de espírito para os democratas começarem a derrotar os poderosos em Europa e no Mundo. O jogo já vai adiantado e ainda não marcámos! Nos Estados Unidos da América o povo manifesta-se nas ruas pela democracia, pela dignidade humana.
Nós, europeus, precisamos de entender que estamos em jogo, que o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia, todo o poder deve ser controlado por uma democracia real. Que dá para sofrer muito até lá chegar, mas que lá podemos chegar!
Europa precisa de uma geringonça democrática que funcione -- e, afinal, que diferença há entre a política e o futebol? A democracia é difícil, sim, mas realizável.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A secessão da Grã Bretanha

http://www.senses-artnouveau.com/biography.php?artist=SEC
Athena, pintura de Gustav Klimt
Não vejo o resultado do referendo em que o Reino Unido votou a saída da União Europeia como um prejuízo para esta mas como um despertador útil.
Há anos que é visível que "A Europa ou se democratiza ou se desintegra". A partir do dia em que as decisões importantes deixaram de ser tomadas por unanimidade, a União Europeia deixou de ser um projecto inovador e democrático para ser o clássico projecto de um Império, em construção clandestina, sem o consentimento dos povos. A feitura e a aprovação do Tratado de Lisboa são disto demonstração suficiente.
Voltemos ao projecto europeu, construamos a democracia a partir da base! A União Europeia.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Três dragões

Um texto de Agostinho da Silva, de 1973:

" E agora vamos lutar contra os dragões. O primeiro é o ideal de um produto nacional sempre crescente e um sempre mais elevado nível de vida material. Neguemos tal ideal. O que queremos é que o produto nacional seja distribuído com justiça, isto é, com amor, e que a qualidade do nível de vida seja elevada.  Como indivíduos podemos escolher ser pobres (não miseráveis, com certeza) e recusarmo-nos a comprar, passando para os outros o que é demasiado para nós.  Empresas e governos querem que sejamos ricos e tenhamos coisas. Sejamos pobres e sejamos coisas — repito, ser coisas, não ter coisas. 
O segundo dragão é a informação, desde a bisbilhotice e a escola até à imprensa e à televisão.  O modo de lutar é dizer a verdade, e somente a verdade, cada vez e em cada coisa, e estarmos prontos a informar  quem quer ser informado. Noutras palavras, devemos ser professores de todos que queiram aprender e nunca deixarmos que a nossa inquiridora, ansiosa em aprender e critica mente adormeça, nunca apoiar erros e mentiras, nunca ficar passiva em confronto com agressões contra a nossa inteligência, o nosso poder de julgar e comparar e o nosso poder criativo. Podemos fazer isto como indivíduos, como pontos com alma.
E eis que chega o terceiro dragão, o pior deles todos — a nossa tendência de pertencer a grupos, de ter um partido político ou uma igreja que pense por nós, de consultar ou seguir professores e gurus, numa palavra, de engolir a vida como criança chupa o leite do biberão. Na realidade nós somos piores, porque no nosso caso o leite já está digerido. Está alerta em relação a dinâmica dos grupos e de invenções skinnerianas similares. Tu podes, com certeza, conviver com os outros, mas nunca seres os outros. Eles podem ser muito bons, mas tu és sempre melhor porque és diferente e o único com as tuas características.
Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as tuas ideias políticas, não as ideias do teu partido;  O teu comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de toda a humanidade, não os interesses de uma parte dela. E lembra-te que "parte" é a etimologia de "partido".
O mesmo se aplica às igrejas, se tens uma religião que não é a principal religião para mais ninguém, como um objeto é principal para todas as palavras que ela possa significar em todas as nossas linguagens. Está de sobreaviso  em relação a gurus e outros líderes carismáticos. A atração pessoal é o seu esconderijo e nada pode ser pior do que ela para a liberdade de atuar e pensar.  Se possuis ou estás possuído, então estás perdido. Neste caso só o amor te poderá salvar. E amor é raro, raro e frágil, frágil e rápido — Agostinho da Silva, " Três dragões ", 1973, in "Textos e Ensaios Filosóficos II", pp. 293-294.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Minha Pátria está doente

Isto é um excerto do questionário OTES-Observatório de Trajectos de Estudantes do Ensino Secundário, feito pela DGEEC- Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que está a ser aplicado a todos os alunos que completam agora o 12° ano.








Com a devida vénia a "SIC Notícias":

Com a devida vénia a "SIC Notícias":
"Directas, já!"

O brasileiros a acordar

Os brasileiros recuperarão o Brasil, manifestação em S. Paulo

Liberdade

Liberdade

Take five, Dave Brubeck

Explosão de uma estrela



A NASA publicou este vídeo da explosão de uma estrela, a 1200 mil milhões de anos, vista com o telescópio Kepler

Imagine

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Herbie Hancock’s “Imagine”
“The spirit of jazz is the spirit of openness” H. Hancock

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libertem-nos!

libertem-nos!
Libertem-nos, já! Parabéns ao Luaty por ter escolhido a Vida!

Só temos uma Terra

Só temos uma Terra

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Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis

A ciência baseada no observador