Quarta-feira, 22 de Maio de 2013


Há um predador que não se limita a pescar mas acaba com a raça dos peixes e de tudo o que mexa: o homo sapiensaquele que fica no topo da cadeia alimentar, que até aos seus persegue e que desperdiça comida. Espécie muito jovem, ainda não encontrou o seu equilíbrio com o meio ambiente e tem o poder de o tornar inabitável. Muito recentemente, há sinais de que esteja a começar a usar a sua maior vantagem biológica sobre os outros animais, a acumulação de experiência e conhecimento em artefactos exteriores ao seu cérebro e interligados em rede, para evitar a destruição previsível do seu habitat. 
A transformação que esta espécie está a sofrer terá impacto em toda a biosfera, tão poderoso e numeroso este predador se foi tornando, nos últimos anos. Na história destas espécies, só as bem adaptadas, as que não caçam mais que o que precisam, sobreviveram. Sobreviverá o predador mais temível do planeta?

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Tempos de mudança: tempo de aprender o que esquecemos!

Foi graças àquele vídeo contínuo ali ao lado, "A REVOLUÇÃO GLOBAL", que conheci este Workshop de um dia, que Marshall Rosemberg fez, em Abril de 2000, em San Francisco, na Califórnia.
Este homem viveu os motins raciais de Detroit, em 1943, com nove anos e formou-se em Psicologia com a intenção de contribuir para que essas coisas não acontecessem. No último ano do doutoramento um professor disse-lhe que que talvez os doentes não estivessem doentes mas a cumprir instruções da sociedade em que cresceram.
"Ando eu nove anos a estudar e diz-me isso agora! E como tratá-los? -- Isso é o que tu vais estudar e descobrir!"
Ele "escavou", então, até à Revolução Agrícola, ou revolução neolítica, ao tempo em que fomos "expulsos do paraíso", para descobrir que, segundo os antropólogos, as sociedades de caçadores / recolectores do Paleolítico não tinham esta nossa noção de justiça, de que devemos ter o que merecemos, esta nossa tendência para mandar ou para ser mandado (que é a mesma coisa) mas antes sentiam o que os outros sentiam e procuravam satisfazer as necessidades uns dos outros.
Pôs-se em campo para criar um método de nos levar de volta ao paraíso (embora não tenha feito esta analogia bíblica!). E ensina a Comunicação não violenta, uma técnica que temos que reaprender:



Vale a pena aprender inglês só para ouvir estas aulas (há mais vídeos no YouTube) que me fizeram pensar em Agostinho da Silva e em que talvez seja mais fácil aos portugueses que aos americanos esta reaprendizagem do encanto da vida -- reconhecendo que estes milhares de anos de desvio cultural foram necessários. Que a ciência é óptima e para continuar mas que chega de violência -- já fez muitos estragos!

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

"O Capital", o último filme de Costa-Gravas

"O Capital" é um filme de Costa-Gravas que conta a história de um presidente de um banco francês internacionalizado e que, de uma forma humana e tranquila, nos mostra os jogadores do jogo financeiro, indiferentes aos despedimentos que provocam. Há um personagem americano, que compra bancos ao serviço da oligarquia internacional (dos tais 1%, os donos virtuais do dinheiro virtual) que diz, a certa altura: "dizem que o dinheiro é um instrumento mas enganam-se, ele é o senhor (master), nós somos os seus instrumentos. Há, no filme, uma analogia subtil entre as crianças viciadas em jogos electrónicos (videogames) e os adultos, nesse jogo financeiro: crianças grandes (mas, de facto, a idade média do jogador de videogames é 32 anos).
Cá em Portugal os jogadores mais poderosos, como os senhores da EDP, costumam comprar os árbitros (os governos) e, quando aparece um juiz de linha, como este ministro da economia actual, que não parece comprável, ele é cilindrado por quem nele manda, pelo árbitro.
Trata-se de um jogo de azar, que só convém à banca e que arruina os incautos -- que somos nós todos, aqueles que emprestam aos jogadores, cheios de pena deles, que tiveram azar!
Na sessão em que vi o filme mais ninguém o estava a ver -- a realidade, mesmo quando feita espectáculo por um mestre do cinema, é uma maçada!

Sábado, 4 de Maio de 2013

Quem me dera em Maio!

Ter à volta de 25 anos, viajar pelo cyberespaço até às ilhas Caimão, ou onde seja que o desequilíbrio, a guerra do dinheiro virtual com a nossa liberdade, se esconda. Esvasiá-lo como a um balão de carnaval e permitir a Paz, alguma Justiça, porque não?
Nós queríamos o fim da censura e conseguímos! De que nos serve, porém, a liberdade, que temos, de dizer, de escrever, de filmar, de denunciar -- se a fome alastra, ainda mais que então?
Europa, aqui em fotografia tirada ao longe, é uma gigantesca escultura natural da filha do rei de Tiro cavalgando um Touro pelo mar fora.
Zeus, disfarçado de belo touro branco, não teve dificuldade em seduzir a princesa asiática que brincava na praia (a Fenícia era onde hoje é o Líbano) e nadou, com ela às costas, até Gortina, que fica na mesma ilha de Creta onde
Terracotta ateniense do século V antes de Cristo
o deus nascera, e onde a amou, tendo voltado à a sua forma humana (Uma só de homens, uma só raça de deuses: de uma só mãe respiramos ambos, versejava Píndaro)
Aruba, ou eurupa, em árabe, quer dizer "bela amante" e esta língua tem a mesma origem da dos fenícios.
Acho graça aos símbolos e parece-me bem que a Fenícia, onde terá aparecido o primeiro alfabeto, e Creta, que civilizou os gregos vindos do norte -- a origem da nossa Civilização de homens livres -- façam parte da história mítica de Europa.

Pode ser que Europa seja uma ideia, a de amar a liberdade de todos, "dos nossos e dos não-nossos".
E são inúmeras as formas que temos de a amar, de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Por cá, por exemplo, alimentamos uma multidão de privilegiados só para ter o prazer de os ridicularizar,  para ter, como poderosos, criaturas que se aproveitam do Estado com tanta inocência como nós gostaríamoss de saber fazer: ridicularizarmo-nos a nós mesmos é a nossa maneira de ser livres.
Hoje, por amizade, ao saberem que eu não iria pedir um subsídio a que as nossas fantasistas leis me dão direito, zangaram-se comigo a sério. Parecia-lhes tão deselegante como deixar comida no prato. O Estado é, na nossa fantástica cultura, uma fonte inesgotável mas de que só os mais espertos, os mais corajosos, os mais simpáticos, se sabem servir.
Lá para o Norte de Europa, por exemplo, encarregam alguns de gerir o património de todos mas vigiam-nos com cuidado, não se perde uma migalha -- e são mais ricos, claro! Sentem-se livres porque fazem contas e nada lhes falta. A história da cigarra e da formiga -- ambas amam a liberdade mas agem diverso.
Não julgo, porém. Uns e outros teremos que inventar um novo Estado de coisas, este acaba. Um em que seja respeitada, por todos, a liberdade "dos nossos e dos não-nossos".

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Dia 1 de Maio

O dia do trabalhador implica o conceito de que há um grupo que trabalha e um outro que, desse trabalho, tira os lucros. Um grupo sem capital para investir e um outro com capital para o pôr a dar lucro.
Assim foi, durante a era industrial.
Mas, hoje, os que não têm capital são os 99% da população, a aumentar. E aumenta, também, a percentagem dos que, além de não terem capital, não têm trabalho.
"O trabalhador" é designação de um grupo que se extingue com as falências e a robótica. E isso é progresso, sem ironia!
"Trabalho" vem de Tripalium, um instrumento romano de tortura, uma espécie de tripé.
A actividade humana, útil a todos, necessária, pode ser um prazer; é preciso que cada um faça o que gosta e faz bem e que possa ser criativo -- o que não pode ser enquanto não for livre.
A luta, a competitividade nascida do medo de ficar para trás, pode dar lugar à colaboração, à simpatia, à segurança.
Luta pela vida pode vir a significar algo de muito diferente: o esforço interior de se aperfeiçoar como pessoa.
Deixo aqui a história de um menino privilegiado, um místico, o contrário de um trabalhador e de um materialista, um homem à procura do que o transcende: um exemplo do que poderemos ser todos, no fim da agonia do sistema da era industrial, que por ora passamos.
Faz hoje 19 anos que morreu Ayrton Senna da Silva e este é um documentário excepcional, sobre um homem excepcional.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

É costume pôr giestas, ou "maias", na porta, hoje, para que o "burro do Maio" não entre. Decerto que é tradição anterior ao Cristianismo, quiçá celta, e deve estar ligada à celebração da Primavera, ao receio de que as sementeiras sequem, ao receio de que, de tanta abundância, se a tomarmos por certa, venha desgraça.
Tomo as superstições como um reconhecimento do desconhecido, "no creo em brujas pero qué las hay, las hay", e temo mais o desconhecer a existência do desconhecido, a húbris do homem científico destes últimos séculos, o qual se tomou por igual aos deuses.
Como se sabe, saber que se não sabe é mais sábio que não o saber!
Talvez para parecer inteligente (Fernando Pessoa dizia que as pessoas inteligentes são supersticiosas) ou talvez para espicaçar as mentes bem pensantes da modernidade (da discussão nasce a luz), fui colher giestas e pu-las nas portas.

Domingo, 28 de Abril de 2013

O absurdo de haver fome


O mundo todo está a acordar! A sociedade de consumo "já era", como dizem os brasileiros.
Ao contrário do que nos querem fazer acreditar, a ciência e a técnica permitem alimentar o dobro da população actual do planeta, sem prejuízo ecológico. É o sistema, o que temos que mudar! Um sistema absurdo, que usa a ciência e a técnica para empobrecer -- quando somos mais ricos que em qualquer tempo e local de toda a história da nossa espécie.

Se precisar de uma prova concreta de que o sistema é absurdo leia isto.

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Não acordei num país livre!

O 25 de Abril não é dia de festa para os militares que o fizeram nem para o povo que libertaram.
Hoje, a democracia é uma fantochada!
A Assembleia da Republica é a face visível da oligarquia que nos governa. Os nossos "representantes", uma trupe de fantoches.
Dentro de nós, porém, 25 de Abril, SEMPRE!

Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Hoje é o dia da Terra

Independentemente de todas as maravilhosas diferenças, étnicas, culturais, filosóficas -- ou das lamentáveis, como as que vão da fome para a fartura ou da guerra para a paz...
Hoje é o dia da nossa casa comum, a Terra, uma casa que se degrada e que precisa da nossa atenção!
Pequinês preocupado com o tigre do Sul da China, em risco de extinção

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

"Tiraram-nos a justiça e deixaram-nos a lei"

Esta era uma das frases dos indignados que acamparam na praça do Sol, em Madrid, vai fazer dois anos.
Numa semente está a planta toda. Já se agarrou bem à Terra, esta planta, há movimentos destes em todo o mundo e não param de crescer... mas ainda é subterrâneo, o crescimento.
Para recordar essa sementeira de paz e de vida, a entrevista que fizeram, na Catalunha, há quase dois anos, a Eduardo Galeano, escritor uruguaio: