domingo, 23 de Março de 2014

Maré alta

De hoje a um mês os portugueses darão um murro na mesa.
O dia 23 de Abril de 2014
Na quarta-feira, dia 23 de Abril, inesperadamente, sem convocatória, sairão à rua em festa, pedindo aos militares que preparem as Chaimites para lá meterem o Cavaco e o jovem primeiro-ministro, a caminho da Madeira. Que celebrem condignamente os 40 anos do 25 de Abril, na sexta-feira, dois dias depois. Um murro na mesa dado com arte, com luvas brancas, um murro pacifico!
O mundo chamará à nossa revolução a Primavera Portuguesa, admirar-se-à  por não haver um único ferido, recordará a Revolução dos Cravos  e interrogar-se-à sobre o seu futuro.
Ordeira e tranquilamente, os portugueses criarão a primeira democracia directa do mundo, Lisboa será o laboratório onde se experimentarão as ideias que germinam em todos os países, a democracia informática será testada e o seu nascimento passará, em directo, nos cinco continentes. O Escudo, partindo da paridade com o Euro, ir-se-à valorizando, comprado por admiradores próximos e longínquos. Comprará a divida – e o orçamento, sem os juros dela, terá superavit. Os juros serão coisa do passado, a economia, livre da bolsa, dos bancos e das agencias de rating americanas, financiar-se-à directamente. A Revolução Informática terá começado.



sábado, 15 de Março de 2014

Murmúrios de estorninhos



Imagino que as plantas e os animais vivam em fluxo contínuo de “graça”, que, mesmo na dor, se maravilhem com a vida. Nós, nós temos mais dificuldade — pensamos muito! Mas também temos os nossos momentos, também nos podemos maravilhar.

E, sem essa dificuldade atávica, não saberíamos fazer arte.
Renascença

Flauta tradicional japonesa

sábado, 8 de Março de 2014

Efeméride

Faz hoje 100 anos que nasceu, não o homem Alberto Caeiro, que já tinha 26 anos, mas o poeta Alberto Caeiro, na data escolhida pelo seu criador, obedecendo a leis “que não perdoam”. Era um Domingo, há cem anos, era o “dia do Senhor”, para os cristãos, o dia do Sol (Sunday), para os pagãos.
O poeta que dizia "o meu olhar é nítido como um girassol" foi o mestre de Fernando Pessoa, de Ricardo Reis e de Álvaro de Campos.
Aqui ficam alguns dos seus versos, dos que hoje fazem cem anos, escritos quando ainda se não sabia que a Natureza precisava de um poeta pagão.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar.

O centauro Quiron, o Mestre, com Aquiles, filho do rei Peleu, que lhe confiara a criança para a ensinar.
O dia 8 de Marco de 1914, as 12 horas

O cancro mais mortifero

O cancro mais mortifero

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Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis