quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Um bastonário sensato

O bastonário da Ordem dos Médicos, ontem entrevistado na RTP, disse o que os portugueses adormecidos deveriam gritar ao governo: Porque é que ainda não acabou com o corte à verba orçamentada para a Saúde, um erro político que este governo já deveria ter corrigido?
Trabalhos encomendados pela Organização das Nações Unidas, já aqui referidos, deram-nos a conhecer, há anos, que o investimento na saúde é aquele que tem maior impacto para tirar um país do subdesenvolvimento, para aumentar a riqueza e o bem-estar de todos. É o investimento prioritário.
A média dos países europeus, ainda baixa, é de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a saúde. O nosso está bastante abaixo da média, sobretudo desde que o governo anterior escolheu sacrificar o futuro de Portugal para obedecer aos “mercados”. Acontece que o nosso PIB é muito baixo e o orçamentado para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é insuficiente; este teria que ser, para evitarmos o subdesenvolvimento, uma percentagem do PIB superior à média europeia de 6,5%. Mas o bastonário limitou-se a pedir esses 6,5% do PIB, para evitar o colapso do SNS.
Os “mercados”, que controlam a informação, não se cansaram de nos dizer que havia corrupção no SNS, desvios dos dinheiros públicos; e de sugerir que as clínicas privadas, inacessíveis aos mais pobres, seriam a “solução". Pois bem, controle-se a corrupção -- como tem sido feito -- mas não se junte uma nova perda de verbas, cortando ao orçamento do SNS. Em vez de ser uma "solução", as insuficiências orçamentais têm levado, por exemplo, o SNS a contratar médicos privados para funções indispensáveis -- por três vezes mais que o que custam no SNS. Não se chama a isto estupidez, chama-se gestão danosa! É o cínico argumento da poupança usado para desviar dinheiro público para as clínicas privadas, para os seus accionistas.

A desigualdade de rendimentos está estatisticamente relacionada com todos os problemas sociais – doenças, número de homicídios, de presos, etc --  e isto foi demonstrado há mais de sete anos. Combater a desigualdade de rendimentos é o assunto prioritário de qualquer política, de esquerda ou de direita. Ora, pedir aos cidadãos que façam um seguro médico é aumentar a desigualdade e é faltar ao respeito pela Constituição, erro que a “geringonça” já deveria ter corrigido – deveria ter reposto as verbas para a saúde no primeiro dia, porque se trata do mais importante, simplesmente.

O Bastonário da Ordem dos Médicos repetiu a mensagem com clareza, para acordar cidadãos e governantes adormecidos. Oxalá consiga, merece o nosso apreço e gratidão.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Jornal de Santo Thyrso de hoje informa-nos do novo alento do velho projecto de edificar um novo edifício para o Hospital Público (projecto prometido pela ministra Leonor Beleza).
Cautelosamente (a geringonça continua a temer os lobis da medicina privada), apenas se fala de um edifício complementar, sem que o actual fosse destinado a outra coisa. É que o Estado paga uma renda à Misericórdia, a quem o edifício foi devolvido (em vez de expropriado) e a Misericórdia, sem essa renda, teria a vida dificil -- perder-se-iam votos, o motor das obras! Mas é claro que seria menos oneroso para o Estado e mais prático para os serviços fazer um Hospital novo, com todas as valências no mesmo local e livrando-se o Estado dessa renda.

Vamos, porém, ser optimistas (ou ingénuos!) e ver na notícia um recuo do poder político das empresas privadas de saúde, que têm direito constitucional a existir, mas que têm sido beneficiadas pelo Estado de forma chocante. É uma situação análoga à das escolas privadas, em que o Estado constrói uma Escola Pública mas continua a pagar à escola privada da zona, com quem tinha um contrato, por não haver, ali, uma escola pública, mesmo depois de a construir: é a conhecida submissão do poder político ao poder financeiro.
Mas o Hospital é uma boa notícia! O projecto tem razão de ser --há doentes!-- e resistiu aos interesses privados que o atrasaram durante tantos anos.

Pretende servir, também, a Trofa e Famalicão. Do ponto de vista de Santo Tirso é um equipamento, tem influência no Urbanismo da cidade, chama-a para onde for edificado.
Escrevi, há anos, um artigo no Jornal de Santo Thyrso, "A Cidade Desnorteada", em que falava do indesejável crescimento para Sul da cidade e da necessidade de construir equipamentos na margem Norte do rio, para a chamar para lá, para a encosta virada ao Sol, onde ficam todas as nossas cidades, como Lisboa, o Porto ou Coimbra. Santo Tirso começou à volta do Mosteiro, na margem Sul, obedeceu ao primeiro grande equipamento que foi feito, o parque D. Maria, um passeio público localizado para usufruir da vista, também na margem Sul, depois o velho Hotel Cidnay, perto do parque, para os turistas do Porto que nos visitavam, o Liceu -- e o urbanismo estava lançado para Sul!
Apesar de a burguesia do século XIX ter construído as suas casas em Além-do-Rio, perto da Estação, são os equipamentos quem leva a cidade atrás, não a habitação. E veio o Mercado, sempre para Sul, os Correios, o novo Cine-Teatro, as novas instalações da Câmara, o novo Tribunal -- afastando a cidade, cada vez mais, do seu centro histórico, que é o Mosteiro.
A zona industrial, por exemplo, localizou-se muito a Sul, ao que dizem em terrenos comprados prevendo a grande valorização que teriam, vendidos ao Município para esse fim. Há uma contradição entre urbanismo e especulação, que espero seja resolvida a favor do urbanismo. Um Hospital deve ter boa exposição solar e ficar numa zona arborizada, não muito longe do centro histórico da cidade. No caso de Santo Tirso, deve ficar na encosta a Norte do rio, contribuindo para corrigir o excessivo crescimento para Sul, que descentrou a cidade. Oxalá esta seja a opinião pública -- e as pessoas tenham, como nos foi prometido, influência na escolha da localização do Hospital. Afinal, este é o tempo da "geringonça" e trata-se do futuro da cidade.
A distância entre a Estação de caminho de ferro e a Central de camionagem (que, idealmente, ficariam juntas) mostra a necessidade de levar o crescimento para Norte.
Alguma coisa foi feita nesse sentido, nos últimos anos: a nova ponte e o percurso pedonal para o parque da Rabada e, na margem Sul mas ainda perto do rio, a utilização pública da antiga "fábrica do Teles" e o restauro do museu Abade Pedrosa, com o novo museu de escultura ao ar livre. Espero que o Hospital seja um bom projecto, funcional, e que ajude a cidade a recentrar-se no Mosteiro, estratégia urbanística correcta, que foi apresentada ao Presidente Jorge Sampaio, quando cá veio, e que espero continue a ser seguida.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Fada Madrinha

Era uma vez uma fada madrinha que só tinha seis afilhados, uma menina e um menino, uma mulher e um homem e um velho e uma velha.
A velha nada lhe pedia para si, pedia juízo e saúde para os netos e a fada dava, tendo o cuidado de não dar juízo demais, não concordava com a velha, muito juízo não faz bem às crianças.
O velho pedia-lhe juventude e a fada era parcimoniosa, também, muita juventude não convém à velhice.
A mulher pedia-lhe beleza, que a fada dava, mas receosa pela afilhada—a beleza em demasia é fardo grande!
O homem pedia liberdade e força física e a fada sofria por ele não pedir responsabilidade e força espiritual.
A menina nada lhe pedia, agradecia tudo. 
E o menino só lhe fez um pedido, que a deixou receosa, também. Pediu-lhe o dom da escrita, a arte de contar histórias de encantar.

Enquanto pensava se lhe concederia o dom, a fada contou-lhe uma história, na esperança de o fazer desistir da escrita, que lhe parecia coisa perigosa para as crianças.
Contou-lhe que, num reino longínquo, morava um lavrador que não sabia amanhar a terra e passava o tempo a ler e a escrever. Pensava ele que haveria de vender livros e que compraria o pão que não semeava. Escrevia de dia e tinha falta de papel, de tinta e de comida, abundância de dor. Mas o homem acreditava que a dor é a semente dos livros, que é preciso sofrer muito para escrever bem. Portanto escrevia, regava a sua dor, que ia crescendo, crescendo—mas não dava frutos.
Um dia meteu-se a caminho da cidade, à procura de um editor que lhe saciasse a fome.
Mas a dor que o lavrador escrevia nada dizia aos citadinos que compram livros—assim pensavam os editores que visitou. Houve um que gostou de o ler, porém, e lhe ofereceu uma boa refeição em troca dos manuscritos. Faminto, o escritor aceitou.

A fada, aqui, hesitou muito, enquanto o menino pedia que acabasse a história. Deveria dizer-lhe que o lavrador morreu de fome? Que o editor ficou rico com o que publicou?
Ou que o lavrador foi trabalhar nas obras e o livro nunca foi publicado?
A fada olhava para o afilhado cheiinha de compaixão e decidiu acabar a história assim:
O lavrador disse ao seu benfeitor que aceitava a proposta mas que lhe fazia outra: se o livro se vendesse bem, o editor dar-lhe-ia de comer todos os dias e ele continuaria a escrever para ele. Nada tendo a perder, o editor aceitou.
Agora, restava à fada o mais difícil: para que o lavrador continuasse vivo, ele teria que ter o dom da escrita, aquilo que o menino lhe pedia. Se ela desse ao afilhado o dom da escrita, iria ele para uma vida de pobreza, ele que tanto queria escrever?
A deontologia das fadas não lhes permite interferir no que as pessoas fazem com os dons que lhes são dados. Podia dar ou não dar...
Decidiu dar e, também, um bocadinho do juízo para os netos que a velha lhe pedira—na verdade dava mais ao menino que aos netos dela. Mas isto a fada não contou. As fadas não têm que se justificar aos seus afilhados, já se sabe.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"A Vida é uma Luta"

Eu digo antes (e sabendo dos anti-corpos contra os "burros que falam línguas") "La Vie est un Jeu"; o verbo jouer, en francês, tanto quer dizer jogar como brincar -- a vida é um jogo lúdico, inocente.

As palavras pouco importam, decerto que temos que lutar pela sobrevivência, pela nossa e pela dos outros, mas o que interessa está para lá da sobrevivência, "l'important est invisible aux yeux", como a raposa ensinou ao principezinho de Saint-Exupéry, que amava uma rosa, no planeta dele. L'important c'est la rose.

Podemos chamar "luta" ao jogo que jogamos, constantemente, com o animal que também somos e que queremos integrar, como um cavaleiro que quer ser um com a sua montada, a qual adivinha os movimentos que lhe pede, idealmente. O cavalo sedento atravessa o ribeiro a galope porque sabe que o cavaleiro sabe da sua sede e dela trata -- no seu devido tempo! Confiam um no outro.
O cavaleiro que está em luta com o cavalo malha no rio se o cavalo tiver sede.

Podemos chamar "luta" ao difícil trabalho de aprender a montar, ou a viver, mas aprende-se melhor se for uma brincadeira -- coisa muito séria para as crianças, aliás, mas bem diferente de uma luta, das coisas sem graça que a acompanham, o orgulho do vencedor, a humilhação do derrotado, o ódio ao adversário, a ansiedade, a angústia, o medo de perder... tristes coisas, essas!

É mais bonito jogar com fair play; e a arte é aquilo que interessa, aquilo que fica. Porque está fora do tempo, mora no "mundo das ideias".

terça-feira, 26 de julho de 2016

Despeça o barbeiro, Monsieur le Président!

Vi, há pouco, na televisão, um senhor que dizia que Portugal é o único país da União Europeia em que os muçulmanos não têm dificuldade em se integrar. É bom ouvir um português (que deve ter apreciado o golo do Eder como os outros), que, por acaso, é muçulmano, fazer essa justiça à nossa cultura, a que costumam chamar universalista mas que é, simplesmente, uma que põe o coração no centro, que é o lugar dele. Somos civilizados sem dar por isso, não nos concebemos a discriminar minorias -- embora a estupidez exista entre nós, existe menos... gosto de pensar assim!
Ao seu lado, também a responder ao locutor, um padre católico, que usou a palavra "primário" para as atitudes irracionais que têm, por exemplo, as claques de futebol, ou as pessoas que se deixam levar pela propaganda xenófoba crescente.
Os terroristas não são bons muçulmanos, são pessoas que merecem mais a nossa compaixão que os que mataram -- esses já estão ao abrigo de "primarismos". Neste tempo de máquinas electrónicas como estas que nos unem, leitor, podemos fazer uma analogia dizendo que uma pessoa que escolhe ser terrorista (temos sempre escolha, bem difícil, por vezes) é uma pessoa que está "avariada", que tem um vírus que a afasta da harmonia universal que é o funcionamento que nos interessa ter.

E há uma epidemia. Portugueses sensatos, pessoas amigas, deixam-se levar pela xenofobia de forma primária, não discriminando entre terroristas e muçulmanos normais, imaginando o perigo onde o não há... é bem verdade que o medo é aquilo de que devemos ter medo;-)

Oxalá (palavra que vem do árabe, de inshallah, literalmente "que seja a vontade de Deus"), ou mais cristãmente, Deus queira que o senhor na televisão, que deve ser o equivalente a um padre, no Islão, tenha razão, e Portugal tenha resistências naturais a essa epidemia. Porque ela é perigosa.

As nossas democracias estão mais doentes que estavam quando o sr. Hitler conseguiu cerca de 30%  de votos e manipulou o primarismo (que sempre existe) de um povo de filósofos, de matemáticos e de músicos para chegar a ditador e matar milhões de pessoas inocentes.

Nem só os americanos, que gostamos de tratar com condescendência, correm o risco de eleger um xenófobo perigoso, o sr. Trump. Marine Le Pen pode ser a próxima presidente de França, por inépcia dos democratas, tão "primários" como os outros. Seja falso ou verdadeiro, corre em França que François Hollande tem um barbeiro presidencial, com um salário de sete ou nove mil euros por mês.
Leve a epidemia a sério, monsieur le Président, olhe que já há quem diga que a Marine, pelo menos, não teria um cabeleireiro pago pelos contribuintes -- esquecendo que o sr Hitler também era inteligente, também sabia manipular emoções e ganhar os votos mais "primários".

Despeça o barbeiro, Monsieur le Président!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

De Sophia de Mello Breyner Andresen, em 1977:

LISBOA

Digo:
“Lisboa”
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver


e de José Prats Sariol, em 2014:

Simple theosophy
"¿Si Fernando logró conversar en 1914 con Eça de Queirós, muerto catorce años antes; y también, varias veces, con Luís de Camões (1524-1580); por qué no va a revisar mi poema Lisboa, medio siglo después?" —se dijo Sophia de Mello Breyner, mientras subía por el elevador de Santa Justa en la vieja Lisboa, con rumbo desconocido.

Um texto sobre Lisboa, já agora

quarta-feira, 13 de julho de 2016

palestra/debate

Recebi este e-mail que anuncia uma palestra/debate com um tema interessante:

"O jornal NOTÍCIAS DE SANTO TIRSO convida V.ª Ex.ª para uma palestra/debate subordinada ao tema "Democracia Representativa, Democracia Direta e Desenvolvimento Urbano", que promove na noite da próxima sexta-feira (dia 15 de julho), a partir das 21.00 horas. A iniciativa, moderada pelo jornalista Augusto Pimenta, tem como oradores convidados os Drs. Rui Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal de Santo Tirso e Miguel Rossi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Santo Tirso (ACIST), realiza-se no auditório do edifício-sede da ACIST, em Santo Tirso. A entrada é gratuita."

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eder

Os pequenos podem ganhar aos grandes. Este é o estado de espírito para os democratas começarem a derrotar os poderosos em Europa e no Mundo. O jogo já vai adiantado e ainda não marcámos! Nos Estados Unidos da América o povo manifesta-se nas ruas pela democracia, pela dignidade humana.
Nós, europeus, precisamos de entender que estamos em jogo, que o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia, todo o poder deve ser controlado por uma democracia real. Que dá para sofrer muito até lá chegar, mas que lá podemos chegar!
Europa precisa de uma geringonça democrática que funcione -- e, afinal, que diferença há entre a política e o futebol? A democracia é difícil, sim, mas realizável.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A secessão da Grã Bretanha

http://www.senses-artnouveau.com/biography.php?artist=SEC
Athena, pintura de Gustav Klimt
Não vejo o resultado do referendo em que o Reino Unido votou a saída da União Europeia como um prejuízo para esta mas como um despertador útil.
Há anos que é visível que "A Europa ou se democratiza ou se desintegra". A partir do dia em que as decisões importantes deixaram de ser tomadas por unanimidade, a União Europeia deixou de ser um projecto inovador e democrático para ser o clássico projecto de um Império, em construção clandestina, sem o consentimento dos povos. A feitura e a aprovação do Tratado de Lisboa são disto demonstração suficiente.
Voltemos ao projecto europeu, construamos a democracia a partir da base! A União Europeia.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Três dragões

Um texto de Agostinho da Silva, de 1973:

" E agora vamos lutar contra os dragões. O primeiro é o ideal de um produto nacional sempre crescente e um sempre mais elevado nível de vida material. Neguemos tal ideal. O que queremos é que o produto nacional seja distribuído com justiça, isto é, com amor, e que a qualidade do nível de vida seja elevada.  Como indivíduos podemos escolher ser pobres (não miseráveis, com certeza) e recusarmo-nos a comprar, passando para os outros o que é demasiado para nós.  Empresas e governos querem que sejamos ricos e tenhamos coisas. Sejamos pobres e sejamos coisas — repito, ser coisas, não ter coisas. 
O segundo dragão é a informação, desde a bisbilhotice e a escola até à imprensa e à televisão.  O modo de lutar é dizer a verdade, e somente a verdade, cada vez e em cada coisa, e estarmos prontos a informar  quem quer ser informado. Noutras palavras, devemos ser professores de todos que queiram aprender e nunca deixarmos que a nossa inquiridora, ansiosa em aprender e critica mente adormeça, nunca apoiar erros e mentiras, nunca ficar passiva em confronto com agressões contra a nossa inteligência, o nosso poder de julgar e comparar e o nosso poder criativo. Podemos fazer isto como indivíduos, como pontos com alma.
E eis que chega o terceiro dragão, o pior deles todos — a nossa tendência de pertencer a grupos, de ter um partido político ou uma igreja que pense por nós, de consultar ou seguir professores e gurus, numa palavra, de engolir a vida como criança chupa o leite do biberão. Na realidade nós somos piores, porque no nosso caso o leite já está digerido. Está alerta em relação a dinâmica dos grupos e de invenções skinnerianas similares. Tu podes, com certeza, conviver com os outros, mas nunca seres os outros. Eles podem ser muito bons, mas tu és sempre melhor porque és diferente e o único com as tuas características.
Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as tuas ideias políticas, não as ideias do teu partido;  O teu comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de toda a humanidade, não os interesses de uma parte dela. E lembra-te que "parte" é a etimologia de "partido".
O mesmo se aplica às igrejas, se tens uma religião que não é a principal religião para mais ninguém, como um objeto é principal para todas as palavras que ela possa significar em todas as nossas linguagens. Está de sobreaviso  em relação a gurus e outros líderes carismáticos. A atração pessoal é o seu esconderijo e nada pode ser pior do que ela para a liberdade de atuar e pensar.  Se possuis ou estás possuído, então estás perdido. Neste caso só o amor te poderá salvar. E amor é raro, raro e frágil, frágil e rápido — Agostinho da Silva, " Três dragões ", 1973, in "Textos e Ensaios Filosóficos II", pp. 293-294.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Minha Pátria está doente

Isto é um excerto do questionário OTES-Observatório de Trajectos de Estudantes do Ensino Secundário, feito pela DGEEC- Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que está a ser aplicado a todos os alunos que completam agora o 12° ano.








segunda-feira, 13 de junho de 2016

Orlando

Orlando é o biografado num romance de Virgínia Woolf, dos anos 20. Não o surpreende continuar vivo desde o tempo de Isabel I nem aquele dia em que acordou mulher, durante uma viagem à Turquia e em que a vida continuou, com roupa nova!
A palavra "sincronicidade" foi criada por Jung para as coincidências com significado. Orlando é o nome da cidade da Flórida onde, ontem, se passou o maior crime de fanatismo homófobo nos Estados Unidos da América: meia centena de mortos e outros tantos feridos.
Donde vem a homofobia? Estudos já antigos e confirmados (a sociologia é feita com estatísticas), mostram-nos o afecto e a sexualidade humana dirigindo-se para ambos os sexos e distribuindo-se com a habitual curva de Gauss. As culturas patriarcais proíbem a homosexualidade e, como dizia Bernard Shaw com ironia "as pessoas inteligentes adaptam-se"! 
Uma lei fundamental da psicologia é que "a frustração leva à agressão". Há quem acredite na narrativa patriarcal de que o normal é pertencer à cauda "boa" da curva de Gauss e se sinta frustrado ao sentir em si mesmo afectos "anormais". Essa frustração leva a auto-agressão e/ou a homofobia. Quanto mais patriarcal a sociedade (o criminoso era afegão) maior o ódio aos que são diferentes da pseudo-norma.
Ao ponto de dar a vida pelo ódio.

A sabedoria contemporânea é milenar: sentir compaixão por quem odeia.
Mas, quando Obama diz a frase cristã, "amemo-nos uns aos outros", referido-se aos americanos, procurando que o medo não destrua a cultura de liberdade do seu país, deixa a porta aberta para odiar os que são de culturas diferentes, neste caso mais homófobas, os países islâmicos em geral. Deixa a porta aberta para a guerra, o contrário da compaixão. Ora não se combate a violência com violência! ... Mas tampouco com cobardia!

Estamos num tempo análogo aos anos 30, em que os nazis começaram a tomar conta da Alemanha e do mundo, pelo medo. Anos em que Churchill batalhava, nos Comuns, contra o desarmamento ingénuo dos governos de então.

O amor ganhará sempre ao medo mas a parte mais irracional da humanidade costuma ser a que melhor se organiza, militarmente.
Respeitemos quem é homófobo, xenófobo, mesmo racista, mas exijamos que cumpra as leis nacionais e internacionais, os direitos humanos. E "não há Direito sem força", convém não esquecer!

Palas Atena, Museu do Vaticano, cópia da estátua de Fídias

terça-feira, 7 de junho de 2016

Saturno, a "má fortuna", a pouca sorte

 A Astrologia é um assunto fascinante, que o Iluminismo ensombrou durante séculos, mas que, ido o seu poder despótico sobre as gentes, se pode ver de novo -- e melhor que antes!

"Erros meus, má fortuna, amor ardente", soneto de Camões, aqui cantado por Amália, fala da dor, que atribui, antes de mais, aos seus erros, mas também ao desdém pelos conselhos do prudente Saturno, à época considerado "maléfico", a má fortuna, e, homem do Renascimento, Camões conhecia a Astrologia e decerto sabia que tinha nascido com Saturno em Peixes -- a isso atribuía a sua sensibilidade à dor... E amor ardente, porque, no horóscopo de Luís Vaz (segundo Mário Saa), a deusa do amor, Vénus, está pertinho do Sol (em "conjunção", em Astrologia) e ele deve ter sido um homem muito chegado à deusa, muito consciente do amor!
O que ele não sabia, porque Urano só foi descoberto no século XVIII, é que este símbolo da Liberdade, do "atrevimento", estava em "bom aspecto"(a 120º, em trígono, em Astrologia) com Vénus e o Sol: o poeta não sabia porque se atrevia a amar -- ardentemente -- frutos proibidos, sabendo dos remorsos que o seu Saturno em Peixes lhe traria.

Nestes dias o Sol opõem-se a Saturno, nos céus, faz isso todos os anos, claro, mas este ano vale a pena aproveitar o Saturno "cheio", bem iluminado, visível de noite entre as constelações de Escorpião e de Sagitário. Que cuidados nos sugere? Que deveres nos aponta?
Creio que nos fala do dever de criar uma utopia concreta mas também do perigo do optimismo e do sonho -- que cruzam astrológicamente o nosso olhar. Dentro de uns dias, Marte, o outro "maléfico" dos antigos, passa por Saturno e, se houver violência no Mundo, Saturno diz-nos, como sempre, que as dificuldades existem mas que, com uma atitude sensata, responsável, prudente, mais dia menos dia, mais ano menos ano, criaremos um mundo habitável!
Saturno fotografado pela sonda Cassini

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Uma escultura nova no espaço público tirsense


O restauro do museu Abade Pedrosa e a sua ligação, por uma entrada comum, ao novo museu é um exemplo da arquitectura de Alvaro Siza, do respeito pelo sítio, do qual parte o projecto, simultâneamente discreto e uma imponente “escultura ao ar livre”. Ganhou a velha hospedaria do mosteiro, hoje museu Abade Pedrosa (vê-se o alçado que recuperou a simetria e, dentro, as madeiras voltaram a ser pintadas, como no século XVIII) e ganhou a cidade de Santo Tirso, com um novo edifício que lhe trará visitantes e prestígio.
Parece que foi caro; mas, por uma vez, creio que o valor da obra para a cidade amortizará o fatídico “terço”, que deve ser o último, os tempos são de mudança.

sábado, 14 de maio de 2016

Volta breve, Dilma!




Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, é o filme favorito do Festival de Cannes, este ano. Feito antes do "golpe" burocrático que destituíu Dilma da presidência, conta a história de uma jornalista musical reformada, Clara (Sónia Braga, que criou Gabriela, há tantos anos!) que se recusa a ceder à pressão das imobiliárias para que seja destruída a sua casa, no Recife. O elenco aproveitou o palco de Cannes para dizer ao mundo que a democracia não existe actualmente no Brasil.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Hail Caesar, o último filme dos irmãos Coen


As nossas imagens mentais são caricaturas -- exagerámos o que vemos mais, esquecemos coisas, colorimos tudo com o que sentimos. O pintor caricatura-se, ao caricaturar.
A caricatura de Hollywood de 1950 é feita a partir de um dia, imaginado, de Eddie Mannix (por Josh Brolin), personagem que existiu, o chefe que resolvia todos os problemas dos estúdios para que o filme se fizesse. O resto é ficção no limite do verosímil, caricatura de um bom documentário da época, com as cores saturadas do Technicolor a dizer o grande carinho, lúcido, que estes cineastas têm pelos seus antepassados na arte; e por aquele tempo, por todos os seus clichês. É a arte, a técnica, a informação histórica e a poesia numa dança rigorosamente coreografada. Muito interessante!

sábado, 30 de abril de 2016

Sobre as lutas políticas no nosso tempo.

Donald Trump, um americano xenófobo e mesmo racista, da "direita" que até os conservadores incomoda, arrisca-se a ser Presidente dos Estados Unidos da América! Como aconteceu isto?
-- Desde há mais de 20 anos que ele aparece na televisão a dizer as suas "ideias" e, no nosso tempo, é eleito quem for mais conhecido, leia-se, quem entrou em casa à hora em que as pessoas se sentam no sofá; é mais fácil votar em quem se conhece que ter que analisar os programas políticos.

O poder político, que, em todo o Mundo, está nas mãos de uma oligarquia financeira, exerce-se, sobretudo, usando os meios de comunicação. Assim como, a longo prazo, uma criatura conhecida se torna elegível, também, se continuamente massacrada nos meios de comunicação, se torna persona non grata do público. É o chamado "poder dos media". Só que, hoje, ele chega para fazer da democracia representativa o que bem entender -- uma fantochada!
Porém, as pessoas procuram informação independente e os media procuram manter essa imagem de independência, de objectividade; este é o tempo da imagem: qual o jornal, ou a televisão, ou o político que não se apresenta como informado, democrata, independente -- que não cuida da sua imagem? Até há serviços de imagem, muito bem pagos, onde trabalham "sociólogos" e todo o tipo de "especialistas".

Dilma Vana Rousseff, Presidente eleita do Brasil
O caso da campanha para a destituição da Presidente do Brasil é gritante. Paradoxalmente, por ter extravasado os limites da decência, o poder financeiro/político/mediático pode ter ajudado a que as pessoas trilhem o único caminho que leva à Liberdade: a razão, a procura de informação fidedigna, de factos, a análise objectiva possível, a reflexão.
Só com um número suficiente de pessoas razoáveis se pode ter um poder político que ajude o país.

Substituir a honesta Dilma pelo seu corrupto vice-presidente é um absurdo que, a acontecer, mostra o poder desmedido dos "fabricantes de audiências", das técnicas "científicas" de manipular emoções.

E faz-nos pensar na necessidade de mudar as regras. De criar a democracia!

 4 de Maio: um artigo a propósito

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O regresso à normalidade

Faz 42 anos que recuperámos a liberdade política, na maior festa nacional de que me lembro!
Criámos uma Constituição que garante os direitos humanos e o primado do poder político democrático sobre o poder económico, oligárquico.
O Mercado Comum Europeu tinha sido nosso aliado na luta política para chegar a 25 de Abril de 1974 e entrámos, confiantes, na Comunidade Económica Europeia, onze anos depois.

Mas, hoje, o poder financeiro domina o Mundo e domina Europa; a luta pela liberdade ganhou uma escala global. Enquanto a ciência e a técnica criam riqueza e informação como nunca as houve, os povos empobrecem e a desinformação submerge as consciências como nunca o fizera.

A moeda única europeia, uma criação da oligarquia internacional, é produzida no Banco Central Europeu, “independente do poder político”; leia-se, “propriedade da oligarquia". 
A recuperação da liberdade política, globalmente, passa pelo poder político democrático (democracia directa) cunhar moeda. Antes disso vivemos em oligarquia, mesmo os que disto não são conscientes!

A madrugada anuncia-se, porém. Podemos e devemos acordar!



Em 1992, o capitão Salgueiro Maia deu uma entrevista que é muito esclarecedora.

A normalidade da nossa Assembleia da República, hoje, é um bom sinal.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O fabrico da "mayonnaise"

Dizem que não se pode estar nervoso para fazer maionese. Ao ovo acrescenta-se azeite e vai-se batendo a mistura, de uma forma contínua, persistente.
Há quem diga que os direitos humanos são coisa da nossa cultura, que deveríamos respeitar as culturas machistas, por exemplo, que fazem uma hierarquia de género. Mas os direitos humanos são universais, são uma  ambição genuína, a ambição da Paz, que só se pode atingir respeitando-nos uns aos outros. É um caminho que se está a fazer e que custa -- como, agora, aos angolanos presos por razões políticas. Os direitos humanos foram aceites por todos os países porque fazem mesmo sentido!

Estes refugiados que atravessam Europa a pé, alguns deles dando a volta à Suécia pelo Norte, para chegar a Noruega, passando para lá do Círculo Polar Ártico, em regiões geladas, impressionam-nos porque a mulher vai descalça e é quem leva as crianças! Sentimo-los como muito diferentes de nós, indignamo-nos mas eu lembro-me das mulheres portuguesas andarem descalças, carregando cestos à cabeça, pela estrada fora; uma lei obrigou-as a andar calçadas e muitas resistiam usando só um chinelo, para evitar a multa. A emancipação da mulher é um milagre recente, em Portugal. Quando vejo os europeus indignados, dizendo que “esta gente" não é integrável, lembra-me aquelas pessoas que se arrependem de ter convidado alguém que não desdobrou o guardanapo, esquecidas de como seriam alguns dos seus bisavós.
Acho mais razoável indignarmo-nos por eles virem a pé, por termos governos que os acolhem mal e que não souberam oferecer-lhes um bilhete de comboio! Conversemos com os refugiados, não com o seu guardanapo, porque o seu antiquado machismo não resistirá ao tempo.
Trajo tradicional tirsense
Integrar não é pedir que sejam iguais a nós, é misturarmo-nos, aprendendo e ensinando. Sabendo que demandam Europa fugidos à guerra (que lhes criámos!) mas também porque, cá, esperam que se respeitem os direitos humanos.
Bom! -- caminha-se para esse objectivo, que atingiremos, com persistência e esforço.
Se descansarmos a meio, a maionese "destalha"!

Alexandre Magno, aluno de Aristóteles, respeitava os povos conquistados. Alexandria, no Egipto, com a sua fabulosa biblioteca, foi, estando em África, a capital da cultura "europeia", durante séculos; o helenismo foi uma maionese bem sucedida, na ciência e nas artes. Destalhou; mas a maionese destalhada deve ser deitada sobre nova gema, devagar, como se fora azeite... Ainda há pouco defendíamos o martírio, os cristãos, éramos fundamentalistas, queimávamos hereges em fogueiras; baptizávamos os pretos à força e trazíamo-los como escravos, para longe da sua terra...
A mulher que vem descalça espera encontrar entre nós respeito, igualdade, tolerância...
Elas talvez sejam a nova gema de ovo, a nova semente, de que precisamos para transmutar o grosseiro materialismo em que destalhámos, quiçá esquecidos de ler o materialista Voltaire, advogado da tolerância (et pas mal de français en profiteraient, eux aussi!).

Ou, se a tolerância para com os nossos disparates no Médio Oriente no-lo permitir, talvez sejamos, os europeus, a gema, a semente, que, regada, devagarinho, pelos refugiados, nos transmute a todos, qual maionese bem sucedida, cujo brilho ofusque a memória do farol de Alexandria! Com calma e com persistência, sem parar de bater a mistura (foueter!), sem descanso até que esteja pronta, a civilização greco-romana-judaico-cristã-muçulmana. Que foi "caldeada" no Egipto e na Índia e respeita, sem hierarquias, todos os povos do mundo.
Os portugueses sonhámo-la pelo menos desde D.Dinis, “que fez tudo quanto quis”!
Desde que Portugal destalhou.

E há tanto que fazer, que “bater”:


charity: water promo featuring "Time Bomb" by Beck from charity: water on Vimeo.

quarta-feira, 30 de março de 2016



Os sonhadores são tratados com condescendência, ninguém imagina que a solução dos nossos problemas passe pelo sonho. Mas passa: o sonho é a semente do futuro.
E, se nos esquecermos de sonhar o que queremos -- acontece o que tememos.

O sonho de todos os humanos é viver em Paz, em abundância, Livres, claro (nem mesmo lembrando que houve tempo em que o não fomos), gozando as belezas inacreditáveis do planeta em que vivemos, encantados com a companhia de todos os outros humanos e criando o Paraíso vivo, eternamente perfeccionável...
E o medo dos humanos, seja onde for que vivamos, é o medo de que nos venham trazer a guerra e nos escravizem. Ora, é mesmo do medo que nasce a guerra e a miséria!

Se procurarmos ver o outro, que nos é apresentado como inimigo, como alguém que partilha connosco sonhos e medos, que nos espelha, como nós a ele, abrimos o caminho para o respeito, para o afecto e a compaixão, que a nós mesmos devemos, também, como a todos os amedrontados.

O encontro dos líderes portugueses das dezassete religiões mais importantes, na Mesquita de Lisboa, para rezar pela Paz, tendo como convidado o Presidente da República, enquanto símbolo de um país cuja Constituição as respeita a todas igualmente, encontro oficial de boa vontade, é um sonho realizado. É um exemplo para Europa, amedrontada com o Islão.
O sonho tem que iluminar o medo. Não o poderá eliminar mas pode-o integrar, reconhecer -- e pode-nos dar coragem, a virtude que, para Aristóteles, fica no meio, entre a cobardia e a temeridade.
E só na medida em que formos corajosos não desistiremos do sonho e evitaremos a guerra.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Povo irmão

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É nestas situações que se faz um referendo. A exemplo dos gregos, numa situação em que a oligarquia internacional estava movendo as suas armas económicas e mediáticas… Ela ganhou? -- Ganhou uma batalha, a luta continua!
O Lula é um herói que trouxe prosperidade ao Brasil. É provável que a direita brasileira ganhe esta batalha, a desinformação impera. Mas a luta continua. Se o PT cair, outras forças políticas hão-de aparecer e hão-de pensar em como acabar com a fome, a iliteracia, a falta de uma casa decente, os abusos policiais…
23 de Março: A coisa aí está preta!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Apelo à direita!

Portugal tem mais dívidas que activos e só dispomos de uma geringonça -- que é preciso pedalar, ainda por cima! Dá trabalho.
Ora, como se sabe, só a direita trabalha, neste país. O apelo à direita consiste em pedir-vos que pedalem, visto que nós somos preguiçosos, parasitas e outras coisas mais!
Se só souberem andar de BMW, se não quiserem pedalar, "a gente vai levando". Mas saiam da frente, não atrapalhem, se faz favor!

Liberdade

Liberdade

Explosão de uma estrela



A NASA publicou este vídeo da explosão de uma estrela, a 1200 mil milhões de anos, vista com o telescópio Kepler

Imagine

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Herbie Hancock’s “Imagine”
“The spirit of jazz is the spirit of openness” H. Hancock

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libertem-nos!

libertem-nos!
Libertem-nos, já! Parabéns ao Luaty por ter escolhido a Vida!

Só temos uma Terra

Só temos uma Terra

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Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis

A ciência baseada no observador

Portugal 2014:

Pior do que ter um ex-Primeiro-Ministro preso é ter o actual à solta!