sábado, 6 de fevereiro de 2016

Princípios

O critério do lucro tomou conta da estrutura social, desde há umas décadas. É a consequência do desaparecimento das regras que mantinham os bancos no seu papel social, que aconteceu com o fim dos Acordos de Bretton Woods, com o célebre discurso de Nixon em 1971, em que suspende, “temporariamente” a convertibilidade do dólar em ouro.
O valor de qualquer acção política foi passando a ser medido pelo lucro que dê e a oligarquia financeira bombardeia-nos sem descanso com a afirmação de que o Estado nada deve gerir porque é intrinsecamente incompetente.
Foi pela mão do ainda presidente da República que as ideias da Sra. Thatcher entraram no nosso país e a mania das privatizações nunca mais parou. Primeiro os Bancos, claro, muitos se lembram de António Champalimaud a comprar o Banco Totta com um cheque do Totta! A Electricidade, as barragens, a sua rede de distribuição (milhares de postes pelo país por 750 milhões de euros) a Televisão e as Telecomunicações, os transportes, a TAP, a Saúde… foi a desresponsbilização do Estado.
E eis-nos no anunciado paraíso, o paraíso dos donos do dinheiro, do lucro.
Os parlamentos estão nas mãos da oligarquia financeira, que os consegue comprar com subtis -- ou menos subtis -- manipulações e, por isso, sabe bem ver alguns deputados que ainda o são, como nestes um minuto e quarenta segundos, mais importantes para Portugal que tantas horas de retórica:


11 de Fevereiro de 2016
 Disse-me ontem um jurista responsável que uma lei não pode estabelecer a sua própria e irrevogabilidade. Numa próxima legislatura a lei pode ser revogada e a água pode ser privatizada.
 Por outro lado, a Constituição não permite esta privatização. Mas a interpretação da Constituição depende da maioria, embora o Tribunal Constitucional possa ter uma palavra.
" Não há direito sem força ". Não nos podemos desresponsabilizar de votar bem.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Museu de escultura ao ar livre

O escritório do Arquitecto Alvaro Siza, em colaboração com Eduardo Souto Moura, projectou um edifício, ligado ao Mosteiro, para apoiar o Museu de Escultura ao Ar Livre, que se distribui pelos jardins de Santo Tirso.
O enorme brasão da Ordem Beneditina, que domina o alçado sudoeste do Mosteiro, deve ser a primeira “escultura ao ar livre” de Santo Tirso. Só ali, a rematar o edifício, num alçado simétrico, a podemos sentir em harmonia com a envolvente, natural, gostemos ou não do barroco “bracarense”. 
Mas estas construções degradam-se, se lhes não for dada outra função, idos os frades. A Câmara funcionava ali, quando eu era pequeno, antes de ter subido para casa própria, nos anos 50. E, creio que ainda no século XIX, tinham ali criado uma porta, com a imponência possível, para não terem que descer e tornar a subir -- era funcional. 
Mas lembro-me de como aquela entrada, que destruía a simetria e “desproporcinava” a dita escultura, me parecia horrenda, pretensiosa e disforme, lembro-me de me sentir envergonhado mesmo, porque os visitantes gabavam a vista do parque, para a Igreja e para a outra margem, e ali estava aquilo, impossível de esconder. 
O museu Abade Pedrosa continuou a usar essa entrada, por ser funcional, e só agora arquitectos caridosos a retiraram, restaurar é ser cristão!

O novo edifício só toca o Mosteiro num ponto, contrasta a sua simplicidade e assimetria com ele -- e respeita-o. 

Espero que abra brevemente, será a terceira obra de Siza Vieira em Santo Tirso. Talvez poucos conheçam a primeira, a casa para o irmão, que trabalhava na Fábrica do Arco, um herói que deixou aquele rapazito projectar uma casa cheia de ângulos agudos, quase inabitável -- mas que lhe deu asas!

A casa da eira, ao fundo
Haverá miúdos que sofrem ao ver as portas de vidro e o betão da cobertura da casa da eira da Escola Agrícola (e os acrescentos)? Conheço muitos graúdos que sim! Era o mais belo edifício de Santo Tirso, uma maravilha da arquitectura do milho, uma história de etnografia em pedra. Foi um crime, a reconstrução -- não sei quem foram os responsáveis mas trataram-no sem caridade alguma!
Sou optimista e creio que os sofredores não terão que esperar 60 anos por  algum arquitecto caridoso e afortunado o suficiente para poder ir contra o senso comum. O senso comum já era!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente de todos os portugueses é um conservador. “Esperemos que nos surpreenda”, como disse Henrique Neto. O progresso faz-se com um equilíbrio dinâmico entre as forças de mudança e as de conservação. Fez um belo discurso de vitória e não há dúvida que os portugueses o querem como Presidente. Se compreender a necessidade (que é mundial) de domesticar, pelo menos, a oligarquia financeira internacional, quem sabe se a sua, bem demonstrada, “ciência política” nos poderá ser útil para ajudar a mudar as regras de Europa… e do Mundo!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Marisa Matias

Vi, agora, uma entrevista com a Marisa Matias, e vejo-a como uma pessoa decente, do melhor que Portugal de hoje produz. Não fora o meu receio de que Maria de Belém seja a mais votada dos adversários do Professor Marcelo, o que nos roubaria qualquer esperança na segunda volta, eu não votaria em António Sampaio da Nóvoa mas em Marisa Matias. Mas “o óptimo é inimigo do bom” e a estratégia dos democratas deve ser a de votar em António Sampaio da Nóvoa. Porém, que bem representados na presidência da República estariam os portugueses se Marisa Matias pudesse ganhar estas eleições!

sábado, 9 de janeiro de 2016

Sobre as eleições presidenciais


Os blogs aparecem quando alguém sente necessidade de dizer o que pensa e pensa que lucramos quando vemos, ao ler um artigo, a partir de um ponto de vista diferente do nosso. Porque não há dois pontos de vista idênticos e vemos mais se usarmos muitos pontos de vista. Vemos mais mas só vemos melhor se melhorarmos a percepção. Não nos basta a informação, não nos basta conhecer muitas opiniões, é preciso fazer algo muito esquecido no nosso tempo (e até atacado, ridicularizado), é preciso “reflectir”. Aqui deixo o que penso:

Platão propõe, na “República”, que os filósofos, os que reflectiram, tenham o poder; era um adversário da democracia em que vivia, um aristocrata. 
Aristóteles, reflectindo sobre a necessidade de os que não têm privilégios terem algum poder na cidade, defendeu a democracia, que já agonizava, entretanto.
A democracia precisa de democratas, de gente que veja interesse em diminuir a distância entre os que têm privilégios e os que os não têm, dando à maioria o poder de fazer as leis, que se aplicam a todos.
Em Atenas as leis eram votadas de braço no ar, na praça, não eram votados representantes para as votarem. Eram propostas por um qualquer cidadão. Os cargos eram sorteados mas não havia o cargo de fazer as leis – porque se o houvesse não haveria democracia!

“Democracia representativa” é uma contradição nos termos, pois se o poder legislativo pertencer a um grupo, que tem esse privilégio, não há democracia.
É o “pior dos sistemas possíveis, com a excepção de todos os outros”, na conhecida frase de Winston Churchill, que lutou por ela contra Hitler porque a alternativa seria perder a liberdade e sabia que só somos livres se a nossa Pátria for livre. 

Nós, os portugueses, abraçámos Abril com um entusiasmo inesquecível:


Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo 
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

A democracia real é a nossa Utopia, é para onde caminhamos, pelo menos desde D. Diniz, “que fez tudo quanto quis” -- temo-la no sonho da alma. A Constituição que nasceu de Abril, em total liberdade -- embora tenha sido alterada, porque a democracia representativa representa, sempre, o poder real, financeiro, que modifica as leis a seu favor -- a Constituição é o nosso caminho, pacífico, para a nossa democracia, para a nossa Utopia.
Vamos eleger o supremo garante da Constituição, o supremo magistrado da Nação, o comandante supremo das Forças Armadas. O Presidente da República Portuguesa não deve ser alguém que quis consertar Abril mas alguém que ainda o traga no coração.
Embora, se elegermos um democrata, ele possa ser vítima da subtil manipulação da oligarquia, pelo menos temos, agora, a possibilidade de escolher uma pessoa em quem confiemos que saiba resistir. Dificilmente um adversário do status quo, da oligarquia financeira internacional, a qual manipula nações, instituições, políticos e consciências individuais, poderá ser eleito. Mas é possível. E é o nosso dever para com um povo inteiro (praticamente todos votaram, nas eleições para a Assembleia Constituinte) não correr mais riscos de perder Abril.

O poder que há não se exerce proibindo a informação mas sobrecarregando-a, permitindo o caos informativo, aparentemente livre mas sujeito a um “atractor” que o organiza: o sistema, a oligarquia.
Aparecem-nos alguns candidatos e, sempre, pelo menos dois candidatos do sistema, pessoas que tiveram uma grande visibilidade mediática durante anos e que levam o lado preguiçoso do nosso cérebro a votar neles, já que os conhecemos e se apresentam como “democratas” e experientes.
É exactamente a “experiência política”, vista pelo senso comum como uma vantagem, que deve ser lida como uma vantagem a favor dos que têm a vantagem de ter o poder financeiro e legislativo. Uma desvantagem para os mais desfavorecidos, que votarão, se distraídos, em quem os não irá representar mas à oligarquia!

Para o caso de Marcelo Rebelo de Sousa não vencer na primeira volta, não ter mais de metade de portugueses a votar nele, o sistema colocou nestas eleições Maria de Belém, que receberá, inclusivé, votos de apoiantes de Passos Coelho, o qual se opôs estrategicamente a Marcelo, para lhe propiciar os votos dos descontentes com o governo anterior. Aqui peço desculpa ao leitor ingénuo mas a oligarquia não brinca em serviço, gasta milhões em estudos estratégicos que são para ela, simplesmente, um investimento.

Depois de ver o debate televisivo entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Sampaio da Nóvoa, mais este me parece o melhor candidato democrata, com uma possibilidade de derrotar Marcelo, o candidato da oligarquia (malgré lui? – não!, ele sabe o que faz), numa segunda volta. É preciso que António Sampaio da Nóvoa tenha mais votos que Maria de Belém, para que não seja uma segunda volta sem esperança. Aqueles que acreditam que “não há alternativa” à submissão ao sistema têm e terão todos os direitos no Portugal de Abril -- mas os eleitores, se refletirem, não escolherão um deles!

Se acaso o nosso governo tiver a coragem de se aliar aos outros países explorados para propor à União Europeia uma mudança das regras que nos levam a dar perto de dez milhares de milhões de euros, por ano, em juros, aos grandes bancos do Norte de Europa, convém que o nosso Presidente da República não seja dos que acharam que esta nossa situação “não tem alternativa”. Porque ela, a continuar, nos levará à miséria.
A esquerda da direita

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Sol em Capricórnio

 O Zodíaco é uma faixa de céu, que envolve a Terra e por onde se vê “passarem” o Sol, a Lua e os planetas do sistema solar. As estrelas fixas dessa faixa servem de mostrador onde os ciclos desses símbolos, que são os planetas, se podem ver. Cada 30º dos 360º dessa faixa tem um nome, é um símbolo, também. Diga-se que o mostrador também se mexe, muito devagarinho, e que o Sol, desde hoje (e durante um mês) a passar pelos 30º da faixa zodiacal a que se chama Capricórnio, é visível perto da constelação de Sagitário, porque o mostrador, as estrelas “fixas”, se “deslocaram”, à vista, em quatro mil e tal anos, cinquenta  e muitos graus para a esquerda: chama-se a a isto a precessão dos equinócios.

No ciclo do Sol, que é de um ano (assim como o da Lua é de 28 dias ou o de Júpiter de 12 anos) este mês é aquele em que o Sol, que simboliza a vida e a nossa consciência, “ilumina” os 30º de Capricórnio, o qual simboliza as instituições sociais, como a Família, a Igreja, o Estado, os clubes de Futebol -- até os bancos podem ser vistos como instituições! É o tempo do ano em que tendemos a ser mais rigorosos, mais exigentes, mais sérios -- porque vem aí o Inverno, temos que ser realistas!

Este ano, hoje, dia do Solstício, em Portugal, tomámos consciência da instituição governo e de que tínhamos entregado a gestão dos nossos parcos recursos, no ano passado, a uns malabaristas incompetentes, que, por exemplo, os “emprestaram” a um banco falido, o Banif e, claro, perdemos os ditos recursos, os tais “cofres cheios” de dinheiro emprestado para as aflições. Ficámos com as dívidas e com os seus juros.

É claro que o Estado não pode salvar todas es empresas em risco de ir à falência: e nem as que têm interesse estratégico tem salvo. Então porque já vai no terceiro ou quarto banco que tenta salvar -- sem conseguir? Cada um fica por milhares de milhões; não seria melhor ter escolhido as mercearias que têm falido, por exemplo, sendo que nem toda a gente tem carro para ir às “grandes superfícies”?
Nestes trinta dias, a partir de hoje, podemos facilmente tomar consciência de que temos que exigir contas àqueles a quem entregamos a gestão dos nossos parcos recursos. Temos, cidadãos, que controlar as contas do Estado -- incluindo nisso as contas das Câmaras Municipais!
Ábaco chinês

E o mundo em que vivemos, a a forma como a oligarquia nos vai levando, como vão mudando as regras nas nossas costas

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lápis Vermelho


Como há oito anos!

Estacionamento no Parque das Rãs

Transcrevem-se alguns excertos da acta da Assembleia-geral do grupo empresarial CMST Lda., o maior empregador do Concelho:

O Senhor Director Executivo (que pediu para ficar em acta como “CEO") abriu a sessão para se congratular com o recente contrato que a holding a que esta empresa pertence celebrou com três pequenas empresas que “nos trarão uma inestimável mais valia em termos de marketing”.
Referiu-se à “grande derrota da holding nossa concorrente” e ao “potencial de alargamento dos mercados que servimos”, lembrando que todos os grandes grupos empresariais se destinam a dar lucro; "quando uma empresa de prestação de serviços presta serviços, estes são instrumentais, o objectivo é, sempre, o lucro dos accionistas, nós!”.
Afirmou que, actualmente, o investimento em marketing tem que ser crescente e quis "ter a elegância de louvar a holding adversária da nossa, a qual fez, em marketing, um investimento avassalador”. Mas, como explicou, "é, por vezes, necessário prestar serviços, por razões de marketing, nunca esquecendo o objectivo último: o lucro dos accionistas” (houve aplausos unânimes).

O Senhor CEO passou assim a palavra ao Sr Director do Departamento de Marketing, que começou por se congratular com o crescimento crescente da verba que lhe é atribuída e com a estratégia que foi definida: a aposta na criação de eventos. Os eventos, salientou, além do eventual serviço que prestam, prestam-se, por isso mesmo, a ser um inestimável instrumento de propaganda e um, não menos apreciável, instrumento de lucro para a CMST Lda. Disse à Assembleia que, “mais importante que a satisfação das necessidades dos clientes, processo antigo de obtenção de lucro, é a criação de necessidades novas e a criação de fidelizações, de dependências”; explicou que “o processo passa por fazer os clientes esquecerem as suas necessidades básicas, pouco rentáveis para a empresa, e satisfazer as novas, muito mais rentáveis, estrategicamente criadas e apresentadas como fundamentais”.
A este propósito lembrou a conhecida frase do filósofo Agostinho da Silva, “das dificuldades tirar vantagens” e de como, face à dificuldade que a empresa teve em vender para construção o terreno que tem à sua guarda na Rua das Telheiras, destinado pela lei da urbanização a um parque de árvores, se decidiu construir um parque de automóveis, que será muito mais rentável que a simples venda do terreno, estando em curso a campanha, fácil, de valorizar a necessidade de estacionamento e de desvalorizar a necessidade de arvoredo.
Os moradores, há 40 anos à espera que a CMST Lda. preste o esperado serviço de plantar algo naquele terreno, decerto verão com bons olhos a plantação de automóveis, quiçá em altura, no futuro, andares de automóveis a crescer pelo tempo fora, um “arranha-céus” em crescimento, “porque o betão também cresce, como as árvores, e também faz sombra!” Aos moradores será lembrado que o barulho e a poluição dos carros serão um baixo preço a pagar pela valorização das suas habitações no mercado imobiliário.
O departamento prevê que não haja reacção contra o parque de estacionamento, nem dos moradores (dos quais alguns, mais idosos, ainda se lembram de que é possível impedir legalmente a iniciativa) nem da opinião pública tirsense, confrontada com uma necessidade real de estacionamento; lembrou que “em boa hora seduzimos o Call Center da PT a vir para Sul do Centro Histórico, assim como os equipamentos desportivos e, sobretudo, a Central de Camionagem, isentados da obrigação legal de criar os seus lugares de estacionamento -- se a lei tivesse sido seguida sem flexibilidade, isso teria prejudicado o investimento em parques pagos, um monopólio que a CMST Lda. continuará a explorar, porque tem altíssimo rendimento”.

Neste ponto tomou a palavra o Sr Director do Departamento de Engenharia Financeira, que mostrou os gráficos dos lucros crescentes que a empresa tem tido com o serviço de estacionamento na cidade (suscitando vários “bravo!” na assistência). Disse que o novo parque custará apenas 25 000 € à empresa e que, muito embora o estacionamento novo comece por ser gratuito, por razões de marketing, em breve será possível aplicar tarifas, invocando a necessidade de diminuir o trânsito no centro; as quais tarifas de estacionamento, em poucos anos, “amortizarão o prejuízo de não ter sido possível vender o terreno”. E, a partir daí, serão uma óptima fonte de rendimento, sem encargos. Citou a “Braga Parques” e o seu crescimento para outras cidades, incluindo Lisboa, como um exemplo a seguir.

O sócio Sr Pedro Betão e Ferro lamentou "estas modernices dos ebentos”, que têm prejudicado a construção, mas propôs a edificação de um “pavilhão de ebentos”, quiçá no lugar do “call-center”, assim que a PT encontre uma cidade com mão-de-obra mais barata e se deslocalize. Também sugeriu a criação de um centro comercial no local da abandonada reconstrução do velho cinema e, congratulando-se com as obras anunciadas para as praças centrais, propôs que ficasse deliberada uma periodicidade de 10 anos para as remodelações das praças, já que “é inconcebível que uma praça fique várias décadas sem obras, como se tem passado!” .

O Senhor CEO, respondendo ao sócio Sr Pedro Betão e Ferro, disse que, embora seja pouco provável que a PT encontre uma povoação com mão-de-obra mais barata, o Parque D. Maria II poderá ser remodelado e passar a compreender um pavilhão de eventos, sem descurar o objectivo, futuro, de aí fazer um parque de estacionamento, seguramente o fim mais rentável para aquele terreno, tão desaproveitado. Mas tudo a seu tempo!

O sócio sr Ângelo Munícipe, que estava inscrito, prescindiu da palavra.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Vem aí o Comunismo!

Grande parte da classe média portuguesa vai ter insónias, hoje. O espectro do Comunismo foi invocado pela propaganda oficial e mete medo. Os cruzados cristãos, no século XI, comeram, mesmo, muitas criancinhas muçulmanas, em Constantinopla (e estamos a pagar esse crime tão antigo) mas não foram os comunistas! Por outro lado, Stálin mandou, de facto, muita gente inocente morrer de frio na Sibéria mas é mais fácil compará-lo, hoje, aos que dizem que “não há alternativa” que ao secretário geral do PCP.
Hoje, trata-se, apenas, caros colegas em burguesia, do funcionamento normal da democracia parlamentar, trata-se de um governo do PS que negociou o indispensável apoio de uma maioria de deputados na Assembleia da República; alguns deles são comunistas, sim, mas cumpridores da Constituição -- ao contrário dos que apoiavam o defunto governo, dado a governar fora da lei.

Nos anos 60 do século passado, legislavava Salazar, os portugueses viam a França como a terra prometida. Tanto desejávamos uma democracia parlamentar burguesa que o Partido Comunista se reuniu e decidiu criá-la, chegar ao poder pelos votos. Nunca chegou; mas devemos-lhe, em grande parte, esta democracia, “o pior dos sistemas políticos, com a excepção de todos os outros”.
E eis que os comunistas se decidiram a usar os votos que tiveram para derrubar um governo exageradamente a favor do poder financeiro e para permitir um governo alternativo. Afinal, há alternativa!
Hoje foi um dia em que os democratas se sentiram felizes. Um caminho pacífico para alguma decência na política, quem sabe? Uma esperança que vem de longe…
E “não há machado que corte / a raiz ao pensamento!“:

Portugal volta, enfim, à civilização europeia, empobrecido, embora, depois de um longo passeio pelo terceiro mundo.
Parabéns aos deputados democratas, à metade racional do hemiciclo, à decência com que se comportou perante a irracionalidade da metade direita.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Marcha global pelo clima

Recebi este email da Avaaz, email e ONG que merecem ser divulgados:

"O governo francês anunciou que a Conferência do Clima irá acontecer como planejado. Entretanto, a marcha pelo clima em Paris foi cancelada.

Mas a verdade é que ninguém pode parar nosso movimento e, no dia 29 de novembro, nosso dia de ação global acontecerá. Agora, mais do que nunca, é importante sair às ruas para representar aqueles que foram silenciados. Vamos mostrar que podemos combater um dos maiores desafios do mundo com paz e determinação.

Temos menos de duas semanas para criar a maior, mais ousada e corajosa mobilização pelo clima da história.Clique para dizer 'vou participar' e, em seguida, convide todo mundo que você conhece via Facebook, Twitter ou e-mail – por Paris e por tudo aquilo que amamos:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_date_nov29_loc/?cl=8933659363&v=68360

Os ataques da semana passada foram planejados para colocar as pessoas umas contra as outras, mas agora temos uma chance de contra-atacar com amor e união nas cidades de todo o mundo. Se conseguirmos reconhecer como nossas vidas e sobrevivência estão interligadas, e como nossa humanidade nos une, como iguais, poderemos construir juntos um futuro melhor e mais seguro.

Para impedir que as mudanças climáticas ameacem tudo o que amamos, precisamos reduzir as emissões globais a zero. É por isso que nossa comunidade passou o último ano trabalhando para conseguir um mundo sem combustíveis fósseis e com 100% de energia limpa.

Nessa Conferência de Paris, nossos líderes podem finalmente concordar com um objetivo global revolucionário -- e as expectativas são altas. Mas se o nosso apelo urgente para garantir o nosso destino comum não for ouvido, há um sério risco que eles continuem a culpar uns aos outros, briguem e adotem apenas meias medidas, o que seria fatal para o nosso futuro.

Esse é o momento para nos mobilizarmos. Vamos desafiar esse momento de escuridão espalhando luz por todo o mundo. Clique para incluir seu nome agora - se cada um de nós se juntar e passar essa mensagem adiante para duas pessoas, vamos fazer história:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_date_nov29_loc/?cl=8933659363&v=68360
Pode ser difícil ter esperança depois desta violência brutal. Mas se todos nós nos comprometermos a ir para as ruas, e fazer dessa a mobilização do nosso tempo, podemos mudar a narrativa de que o "terror está em toda parte" para "da escuridão nasceu a maior expressão de humanidade da história".

Um abraço cheio de esperança e determinação,

Alice, Emma, Morgan, David, Allison, Danny e toda a equipe da Avaaz

P.S. Caso não tenha visto, inclua sua mensagem no chat global da nossa comunidade para nossos irmãos e irmãs na França, Líbano e todo o mundo. Clique aqui.

P.P.S. Organizadores, parceiros e membros da equipe da Avaaz estão em contato com as autoridades relevantes para garantir que este será um dia seguro de diversão e esperança.

Mais informações:
França mantém conferência do clima, apesar dos atentados em Paris (G1)
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/11/franca-mantem-conferencia-do-clima-apesar-dos-atentados-em-paris.html

Papa Francisco espera 'decisões concretas' na conferência do clima (AFP)
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/papa-francisco-espera-decisoes-concretas-na-conferencia-do-clima.html

Empresas americanas comprometem 140 bilhões de dólares para reduzir emissões de carbono (R7)
http://noticias.r7.com/dino/economia/empresas-americanas-comprometem-140-bilhoes-de-dolares-para-reduzir-emissoes-de-carbono-27072015

Mobilização Mundial pelo Clima: a revolução começa aqui (em inglês) (The Guardian)
http://www.theguardian.com/environment/2015/jul/29/peoples-climate-march-the-revolution-starts-here



A Avaaz é uma rede de campanhas global de 41 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas nacionais e internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 18 países de 6 continentes, operando em 17 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

Você se tornou membro do movimento Avaaz e começou a receber estes emails quando assinou a campanha "Defenda o Tibete - Apoie o Dalai Lama" no dia 2008-03-24 usando o seguinte endereço de email: ze.antonio.miranda@gmail.com.
Para garantir que as mensagens da Avaaz cheguem à sua caixa de entrada, por favor adicione avaaz@avaaz.org à sua lista de contatos. Para mudar o seu endereço de email, opções de idioma ou outras informações pessoais, entre em contato conosco, ou clique aqui para descadastrar-se.


Para entrar em contato com a Avaaz, não responda este email, escreva para nós no link www.avaaz.org/po/contact.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Deselegância política

A TAP era uma empresa pública, de reconhecido interesse estratégico nacional.
Os governos têm vendido parte dela e, agora, este governo, provisório, recusado pela Assembleia da República, que está apenas em gestão, tomou a iniciativa de vender, da TAP, o que ainda era património público.
Já vendeu outras empresas que deveria conservar, por ligadas à segurança nacional, como a REN, a EDP, a PT…
No caso da TAP a venda é anunciada por 150 milhões de euros. Valor que “justifica” a venda. Deixo aqui uma conta de aritmética elementar: Os juros anuais da dívida externa do Estado, que figuram nos orçamentos dos últimos anos, têm sido à volta de 8000 milhões de euros

8000 a dividir por 150 dá 53.  Portugal, só para pagar os juros, precisa de vender 53 empresas como a TAP, por ano.

Se se trata de juntar os tostões todos, então como explicar tantos e tantos gastos absurdos?
Não se trata de má gestão mas de gestão danosa. De gestão a favor dos usurários.
A administração pública foi comprada, há anos, não age a favor dos portugueses, funciona num delírio sistematizado, acredita, creio que sinceramente, que não há alternativa à escravidão da usura.

Há dois anos o país já era "irrespirável”

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Xeque-mate, sr. Presidente!

O programa para um governo estável, com o apoio, na Assembleia da República, do PS, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda foi apresentado ao País. Gente sensata, que soube dialogar, que sabe que o óptimo é inimigo do bom!
Parabéns!
Será que a oligarquia financeira não controla todos os nossos “representantes”? Este é o tempo de acreditar num caminho inteligente e pacífico para a Democracia.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Afrodite

Os deuses continuam vivos, eternos, símbolos que são, arquétipos como ora lhes chamamos.
Invocá-los ajuda-nos, pois, embora lhes sejamos indiferentes, a consciência que tivermos deles é consciência do nosso inconsciente, é caminho de sabedoria.
Invoco Hermes (o Mercúrio dos romanos), o deus dos blogs, para comunicar um conceito que me transcende, para partilhar um ponto de vista.
Afrodite (a Vénus dos romanos) é a deusa do amor e da beleza, da harmonia e do prazer.
Decerto não é a deusa do sacrifício, da dor; porém, muitos cristãos identificam amor com sacrifício. Paulo de Tarso (S. Paulo), pregador cristão, disse aos gregos que lhes vinha anunciar o “deus desconhecido”, para o qual já tinham um altar, receosos de deixar esquecido algum arquétipo, que, inconscientemente, lhes viesse desequilibrar a vida.
Cristo, o “deus desconhecido” dos gregos, dizia, essencialmente, que amássemos os outros como a nós mesmos. A “boa nova” consistia em sairmos do egocentrismo e percebermos os outros como fazendo parte de nós, tratava-se de tirar as baias, de alargar o horizonte; chegara o tempo de honrar, também, esse novo deus, dizia Paulo.
Mas que fizeram os cristãos, que Constantino levou ao poder do Império Romano? Foram, progressivamente, idolatrando o sacrifício, esqueceram a harmonia, o equilíbrio, o prazer, a beleza -- Afrodite! -- e trataram de amar o próximo mais que a si mesmos, pensando subornar Cristo, maltratando-se.
Ele falara em amar o próximo como a si mesmo, nem mais que a si, nem menos. Eles trataram de comprar uma entrada para o reino que não é deste mundo, martirizando-se, alheios à beleza da mensagem.
Hoje, os que procuram a boa vontade, a comunhão dos homens dispersos por diversas crenças, os ecumenistas, como o Dalai Lama, ou, quiçá, o papa Francisco, pregam a compaixão e incluem a compaixão por si mesmo, propõem que, mais que alargar os horizontes, se suba onde se possa ver a miséria humana, os fanatismos míopes, as guerras inúteis … e se sinta compaixão, por todos nós.
Amar, fazer algo por quem se ama, não é sacrifício, é prazer, isso nos sussurra Afrodite, do fundo do inconsciente. E somos todos um, irmãos, nos diz, sereno, o “deus desconhecido”.
Assim saibamos receber, fraternos, as gentes que as guerras, que semeámos, nos trazem à porta.

sábado, 24 de outubro de 2015

A perrice do presidente

Nem a decência nem o bom senso são exigíveis por lei. Pode-se viver no topo da pirâmide social sem ter noção do que sejam -- desde que se conheçam as leis!
Assim como se pode ser professor universitário sem ter “aquilo que fica depois de se ter esquecido tudo”, como se chamava à cultura -- desde que se saiba o que vem nos manuais do assunto que se professa.
E até se pode ser Presidente de uma República Democrática sem a ter desejado no tempo da tirania, sem que a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade lhe sejam caras -- desde que se conheça a Constituição!

As sociedades são compostas de pessoas e elas obedecem à sua consciência, que pode estar submersa por racionalizações… errar é humano! É comum fazer projecções, atribuir aos outros qualidades nossas. Quem nunca ouviu uma pessoa privilegiada acusar alguém de não ser democrata, quando os seus privilégios estão em risco?

Os confrontos são coisas que acontecem. Poderiam ser resolvidos com diálogo… mas como dialogar com preconceitos? Como argumentar com raciocínios em que eles fazem parte dos dados?

“Mais vale prevenir que remediar”. Os portugueses nunca deveriam ter votado em Aníbal Cavaco Silva, foi um desleixo dos democratas, “irrevogável”.
A única vantagem dos erros é aprender com eles: oxalá os meus concidadãos não elejam o simpático professor Marcelo!

Entretanto, deixo aqui um artigo da Constituição, está na hora de o Sr. Presidente da República o usar;  é legítimo, como tudo o que nos disse o é, e viria justificar a última frase do discurso,
“Como Presidente da República assumo as minhas responsabilidades constitucionais. Compete agora aos Deputados assumir as suas. Boa noite.”:

Artigo 131.º 
(Renúncia ao mandato)
1. O Presidente da República pode renunciar ao mandato em mensagem dirigida à Assembleia da República. 
2. A renúncia torna-se efectiva com o conhecimento da mensagem pela Assembleia da República, sem prejuízo da sua ulterior publicação no Diário da República.

Sugiro deixar uma justificação, na mensagem à Assembleia: “Receio estar a assustar os mercados”.

E poderia acrescentar: Cometi o erro grave de não ter demitido a tempo um governo de oportunistas.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Luaty Beirão

Este cidadão com dupla nacionalidade, a angolana e a portuguesa, está a chegar a um mês de greve de fome, lutando assim pela sua libertação, pela dos seus colegas ilegalmente presos, como ele, mas também pela libertação do povo angolano.
Sabe a fisiologia que, a partir de agora, por falta de proteínas, sobretudo, terá danos irreversíveis no organismo. Não sabemos o que tem o soro que, nestes últimos dias, a propósito de que não consegue beber, lhe estão a administrar, tendo-o o poder transferido da prisão para um Hospital, certamente por medo, mas quiçá por um muito tardio despertar da consciência que nos é comum, a escravos e a tiranos, por mais que a enterrem.

Além de, mostrando ao mundo a situação política angolana, a de uma oligarquia tirânica vestida de “democracia”, Luaty estar a tirar o chão ao governo de Angola, ele está a mostrar a todos os que habitamos a Terra a eficácia do caminho da não-violência.
Reflectindo sobre a luta dele, os portugueses podem ver a oligarquia caseira e a mundial, menos visíveis que a angolana, mas análogas.
Podemos, em todo o mundo, tomar consciência de que a vida está dominada pelo dólar, produzido aos triliões pela Reserva Federal, a partir do nada, instrumento capaz de comprar países, submergir consciências, empobrecer todos.
Podemos pôr em causa que seja fabricado por privados (sem mesmo o materializarem em notas!), que o entregam a bancos privados, que o fabricam, também eles, ao poderem ficar, por lei, apenas com uma reserva de 10% do que emprestaram. E podemos interrogarmo-nos a que propósito pagámos juros por isso, e impostos para pagar juros das dívidas dos Estados; dinheiro que gera poder, que gera dinheiro, que gera poder, que gera dinheiro…
Angola e os seus governantes escravos do dólar, serve para caricaturar o mundo, para o entendermos.
E serve para nos mostrar que a revolução em curso só pode ser não-violenta. Só pode acontecer a partir de um número suficiente de cidadãos conscientes. Um número preciso de pessoas, no mundo. Um limiar biológico da Terra.
Nos organismos há limiares. Tomemos como exemplo a glicemia, a taxa de glicose no sangue; a glicose é um açúcar, o nosso combustível para funcionarmos, vivermos. Há um limiar, um número preciso abaixo do qual o organismo entra em coma. Um outro, mais abaixo, a partir do qual entra em choque e morre. Depois de transformar as proteínas dos seus músculos em glicose até esse número, Luaty morre, dentro de duas ou três semanas, no máximo, se não lhe for dada glicose.
Da mesma forma, admitindo a hipótese de Gaia e nós nela, há um limiar, um número de pessoas conscientes a partir do qual tudo muda, abruptamente. Pode ser como o limiar de ruído a partir do qual, por mais sonolentos que estejamos, acordamos. Há um limiar para tudo.

Passou, no Rivoli, um filme sobre um aspecto da obra de Fanon, sobre a descolonização, que alguns interpretam como uma “justificação” da violência, perante a quotidiana violência que é qualquer colonização. Como aquela a que o dólar sujeita o mundo.
Mas não é um caminho, violência gera apenas violência, não gera Liberdade. O MPLA usou a violência contra o colonizador, tinha, obviamente, a Justiça do seu lado -- mas gerou o pesadelo presente em Angola. Gandhi usou a não-violência e conseguiu uma independência real, conseguiu manter o melhor da cultura do colonizador (universidades magníficas, por exemplo) e um caminho de libertação que a Índia continua a trilhar.

Luaty Beirão, ao escolher a luta não-violenta, é, neste momento, um farol para o mundo.
Embora a nossa Embaixada em Luanda se tenha preocupado, o nosso governo cessante e o nosso presidente da República cessante, ao não falarem em nome dos Direitos Humanos, neste caso e neste momento, ajudam-nos a perceber que nos não representam, embora eleitos.


sábado, 17 de outubro de 2015

"Democratising the Eurozone" - Yanis Varoufakis

A Conferencia de Yanis Varoufakis na Universidade de Coimbra merece ser ouvida por todos. É em inglês, infelizmente -- alguém a há-de legendar, espero! Entretanto, aqui fica.

18 de Outubro  A RTP retirou o acesso no YouTube à conferência, invocando “direitos de autor”. Eis que, na RTP, o lucro se sobrepõe à função de serviço público para que foi criada. Uma metáfora da conferência, a “democracia” europeia submete-se a um “cartel” de poder financeiro americano.
18 de Outubro, à noite A RTP permitiu outro link
Talvez o mais “chocante”, na conferência, tenha sido a história da formação da União Europeia e do Euro, uma “almofada” para o dólar. Porém Varoufakis louva o trabalho de Mário Draghi, que está sujeito às regras da União Europeia e não pode fazer mais. E continua a acreditar no projecto europeu, só que precisa de ser democratizado: diz, do parlamento europeu, que não tem o poder de ter iniciativas legislativas nem o poder de remover a Comissão Europeia, é uma fachada para “legitimar” uma oligarquia.
Varoufakis começa por pedir para comparar a academia, as universidades, com a democracia, a estrutura político-social. Fala da liberdade de investigar, de colocar hipóteses, de discutir que é a essência da Universidade e de como, sujeita, a partir dos anos 70, a aprovação de “fundos”, deixou de ser… vê-se que quer contribuir para refazer a tradicional liberdade, autonomia, das universidades, a par do refazer da democracia europeia. E começa por nos demonstrar o que se perdeu. Diz-nos que se um professor quer ser reitor isso é razão suficiente para não ser escolhido para o cargo e assim deveria ser com os políticos. Trata-se de um serviço, que deveria ser aceite com relutância!
Conta, por exemplo, como foi encarregado de levar aos ministros das finanças da eurozona a resposta do governo grego ao ultimato que pedia que aceitasse empréstimos em condições que sabia não poder cumprir. Essa resposta foi “Não podemos assinar, pois são condições impossíveis, fomos eleitos para resolver o problema, não para o agravar, mas vamos perguntar ao povo grego e trazemos a resposta dentro de uma semana”. A reacção dos ministros das finanças europeus foi de escandalo: “quer submeter um documento tão complexo ao escrutínio popular?”. Varoufakis chama platónico ao pensamento político dos seus colegas europeus. Platão era um anti-democrata, achava que se não pode deixar ao povo as decisões importantes -- ao contrário de Aristóteles.
Ficou surpreendido com a coragem dos gregos, ao recusarem o ultimatum e não pôde acompanhar Tsipras, de quem continua amigo, quando este decidiu, contra o voto popular, ceder ao poder económico europeu (que, adiante, nos mostra ser internacional, centrado no dólar).

A lucidez, a reflexão que foi precisa para tão clara conferência, merecia que ela fosse divulgada. A RTP, sujeita a regras de mercado, falha a sua função. Varoufakis conta que mostrou aos colegas a necessidade de mudar as regras do Euro… “--Não!” “-- E porque não?” “-- Porque isso não pode ser”.

Regras feitas por homens, que criam injustiça, e regras defendidas por censura, como esta da RTP, por leis (que se poderiam mudar), por tribunais, por polícias, pelo medo… e, sobretudo, pela ignorância dos cidadãos, que andam a dormir.


sábado, 10 de outubro de 2015

O Costa

“If you can keep your head when all about you
 Are loosing theirs and blaming it on you"

in Rudyard Kipling, "If"

Não simpatizo instintivamente com o personagem mas quando vejo actores responsáveis tratar os deputados eleitos pela esquerda como se não tivessem voz, nem mesmo o direito de existir, esperando do Dr. António Costa que se lhes junte, aos “bons europeus", e o vejo tranquilo, respeitando todos, procurando o melhor caminho, só lhe posso desejar felicidades!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Formar governo

O Fundo Monetário Internacional anunciou previsões pessimistas para o Mundo e, nele, Europa e Portugal. A “austeridade”, se simultaneamente em vários países, diminui as trocas comerciais e atrasa o desenvolvimento. O Banco Central Europeu reconheceu o resultado dela e tenta financiar os países -- mas está condicionado pelo citado artigo 123 do Tratado de Lisboa, que o proíbe de financiar Estados, apenas pode financiar os grandes bancos, os quais financiarão os Estados, à taxa que lhes aprouver.
Revogar esse artigo do Tratado da União Europeia é a prioridade política por excelência. Porém, tal não aparece nos programas dos partidos; será porque sabem que é irrealizável, sabem que quem manda é a oligarquia financeira? 
Os europeus abstêm-se cada vez mais, assumem que a política não está nas mãos dos eleitores mas nas do poder financeiro.
Mas houve vários partidos que se apresentaram aos eleitores dizendo-se contra a austeridade -- isto sem irem ao fundo da questão, sem terem posto em causa a estrutura da nossa moeda, sem verem que ela é fabricada a partir do nada por uma oligarquia, a qual, depois de a ter criado, a empresta aos Estados com juros, Estados esses que se vêm gregos para os pagar, subindo os impostos para níveis que prejudicam a economia. Presumindo que esses partidos iriam aumentar a dívida, a qual já não é sustentável, ou, pior, que iriam aumentar os impostos (a quem ainda os possa pagar), a classe média não votou nesses partidos, assustada. Mas sabe que a austeridade levou o país a uma situação análoga à da Grécia, com uma dívida de 130% do PIB; sabe, se não usar o processo psicológico chamado “negação”, que temos que mudar de rumo.
A maioria dos eleitores portugueses votou na mudança, votou contra a austeridade, que reputados economistas há muito denunciaram como um erro.
Foi um voto claro mas disperso por vários partidos. O voto conservador foi numa coligação, a qual teve a maioria relativa; deve formar governo?
Um erro cometido pede que o reconheçamos e que deixemos de o cometer. Essa a base para experimentar outros caminhos, o melhor que soubermos.
Deixemos a “democracia” que temos procurar esses caminhos. E buscar aliados nos outros países europeus para mudar o rumo da União -- é mais que tempo. Tiro o chapéu a Jerónimo de Sousa, que abandonou o paradigma de se não aliar com quem defende o capitalismo e pôs Portugal à frente, abriu a porta a um governo que tente acabar com a austeridade!
É possível, juridicamente, acabar com a sangria das PPPs, com os privilégios da EDP, com os resgates de bancos à custa dos impostos, há muita coisa a fazer enquanto a União não percebe que tem que revogar o artigo 123.

"Nenhum problema pode ser resolvido com o mesmo nível de consciência com que foi criado”
 Albert Einstein
PT 30.3.2010 JornalOficialdaUniãoEuropeia C83/99 

Artigo 123.o

(ex-artigo 101.o TCE)

1. É proibida a concessão de créditos sob a forma de descobertos ou sob qualquer outra forma pelo Banco Central Europeu ou pelos bancos centrais nacionais dos Estados-Membros, adiante designados por «bancos centrais nacionais», em benefício de instituições, órgãos ou organismos da União, governos centrais, autoridades regionais, locais, ou outras autoridades públicas, outros organismos do sector público ou empresas públicas dos Estados-Membros, bem como a compra directa de títulos de dívida a essas entidades, pelo Banco Central Europeu ou pelos bancos centrais nacionais.

2. As disposições do n.o 1 não se aplicam às instituições de crédito de capitais públicos às quais, no contexto da oferta de reservas pelos bancos centrais, será dado, pelos bancos centrais nacionais e pelo Banco Central Europeu, o mesmo tratamento que às instituições de crédito privadas.

sábado, 3 de outubro de 2015

Morreu um Amigo

Só agora soube que o Dr Mario Trepa, tirsense, geólogo, democrata e tanto que as palavras não sabem dizer, nos deixou, em Aveiro, onde morava desde há uns anos. 
Gratidão, eis o que ainda sentem, por ele, os que o conheceram.

domingo, 27 de setembro de 2015

A guerra é o inferno

São sempre “económicas” as razões da guerra. Financeiras, melhor dizendo.
Aqueles que a premeditam, à procura do lucro, regam as sementes de discórdia, onde as houver. Na Ucrânia e na Síria tentaram lançar os europeus numa guerra com a Rússia; falharam, até ver. Em Paris atacaram o Charlie Hebdomadaire, para lançar os europeus contra o Islão; falharam, até ver. Fizeram aparecer o Estado Islâmico, para que uma invasão de refugiados na Europa a levasse a mandar tropas para o Curdistão…
Quando, como hoje acontece, permitimos que o poder “económico”, digo, financeiro, controle o poder político e quando este se desliga dos cidadãos, a guerra é um risco real.

Os heróis são aqueles que combatem a guerra. Porque odiar é mais fácil que amar.
Soldado americano no Vietnam, em 1965, que escreveu no capacete “WAR IS HELL”, “a guerra é o inferno”.
Et toi, maman, essuie tes larmes


Estaremos a ser manipulados para aceitar a guerra? Serão os nossos preconceitos o que nos impede de estudar assuntos como este?


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Indignação com a corrupção

Somos um povo de brandos costumes, como soi dizer-se. Respeitamos, com bondade, os oportunistas que são a maior parte dos nossos “políticos” mas, por muito tolerantes que sejamos, já mostrámos que também sabemos indignarmo-nos, embora muito mais tarde que os povos do Norte de Europa.
Este documentário sobre as crianças que morrem de fome em Angola, país riquíssimo, alerta-nos para essa característica da nossa cultura comum: a excessiva tolerância com a corrupção!
A cultura está na língua, é gente como nós, no filme, é uma caricatura do que somos.
A solidariedade com o povo explorado de Angola é um dever de Estado. O Estado que temos, corrupto, confunde-a com a solidariedade com os seus irmãos corruptos do governo angolano, que trata como príncipes e deveria tratar como ladrões que são.
Os milhares de milhões que os nossos governos nos roubaram com as PPPs, as obras que foram feitas, durante dezenas de anos, a sete vezes o seu preço, as barragens inúteis e que destroem áreas protegidas, os bancos que roubam e que o Estado vai “salvar”… há quem diga que, não fora a corrupção, não estaríamos com uma dívida de 130 % do PIB, algo que nos impede de viver, de crescer!
A indignação, com toda a compaixão pelos corruptos, a quem falta a dimensão social da personalidade, é, em certas circunstâncias extremas, um dever.
Alguns ministros decentes vão servindo para disfarçar o nosso sistema de dois partidos indesejáveis, que nos vão vendendo a ideia de que a “alternância” é esperança. Não é.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

“Deixemo-nos de brincadeiras” Passos Coelho dixit!

O “debate do ano”, o único entre os dois únicos homens com possibilidade de ser o nosso chefe do governo nos próximos anos foi duro de ver.
Não fora o horror de saber que nos governarão, as gargalhadas seriam expontâneas, nada teria custado assistir.
O chefe do governo, que tem vendido tudo o que tínhamos com valor em Portugal, reconhecendo que tão grande peso de juros não aconteceria se tivéssemos “soberania monetária”, explicou-nos que isso acontecia quando podíamos “fazer batota”, produzindo moeda.
Vê-se bem que, para ele, o privilégio da oligarquia internacional, o de produzir moeda e ficar a receber os juros -- que ele vai buscar aos nossos impostos-- é aceite sem pestanejar. Duvido que saiba que o artigo 123 do Tratado de Lisboa foi votado por deputados eleitos e é (oh!, quão teoricamente!) revogável por novos deputados.
Vê-se bem que sente, em relação à oligarquia financeira, uma lealdade análoga à que os nobres vassalos sentiam em relação ao seu senhor feudal. É, para ele, assunto inquestionável.

E o seu opositor tampouco põe em causa a escandalosa agiotagem a que se submeteram os povos de Europa.
Porém, acabar com o artigo 123, que proíbe expressamente o nosso banco emissor de moeda, o BCE, de emprestar aos Estados, deveria ser o primeiro item do programa de qualquer partido que se propusesse ser governo.
Vivemos imersos numa “narrativa” em que o dinheiro, fabricado do nada pelo BCE e emprestado aos grandes bancos a juros irrisórios, é reverenciado por nós como era Deus, na Idade Média, e as interpretações da Sua vontade que chegavam de Roma.
Diria que precisamos de um Afonso Henriques, que cunhou moeda sem pedir licença a Roma.
Mas, se houvesse antípodas para o nosso primeiro governante, elas eram visíveis ontem, em todos os canais!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Sol brilha, para secar a Lua, que se esconde. Ela foje do Sol mas sabe que precisa dele, que só ele a faz brilhar e ser Lua.
O Sol mostra-lhe os erros que levaram àquilo, a disciplina que é preciso manter, a compaixao que lhe pedem os erros dos outros… E os da sua falta de luz. Pede-lhe que se aqueça à sua clareza, diz-lhe que quer aprender com ela a perdoar. Que o ensine a iluminar sem queimar...
Mas só quando ele deixa de explicar as razões da chuva que caíu, ela deixa a dor secar, devagarinho, e, devagarinho, dar lugar à alegria.
Sem razão!

Imagine

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Herbie Hancock’s “Imagine”
“The spirit of jazz is the spirit of openness” H. Hancock

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libertem-nos!

libertem-nos!
Libertem-nos, já! Parabéns ao Luaty por ter escolhido a Vida!

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Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis

A ciência baseada no observador

Portugal:

Pior do que ter um ex-Primeiro-Ministro preso é ter o actual à solta!