quinta-feira, 23 de junho de 2016

Três dragões

Um texto de Agostinho da Silva, de 1973:

" E agora vamos lutar contra os dragões. O primeiro é o ideal de um produto nacional sempre crescente e um sempre mais elevado nível de vida material. Neguemos tal ideal. O que queremos é que o produto nacional seja distribuído com justiça, isto é, com amor, e que a qualidade do nível de vida seja elevada.  Como indivíduos podemos escolher ser pobres (não miseráveis, com certeza) e recusarmo-nos a comprar, passando para os outros o que é demasiado para nós.  Empresas e governos querem que sejamos ricos e tenhamos coisas. Sejamos pobres e sejamos coisas — repito, ser coisas, não ter coisas. 
O segundo dragão é a informação, desde a bisbilhotice e a escola até à imprensa e à televisão.  O modo de lutar é dizer a verdade, e somente a verdade, cada vez e em cada coisa, e estarmos prontos a informar  quem quer ser informado. Noutras palavras, devemos ser professores de todos que queiram aprender e nunca deixarmos que a nossa inquiridora, ansiosa em aprender e critica mente adormeça, nunca apoiar erros e mentiras, nunca ficar passiva em confronto com agressões contra a nossa inteligência, o nosso poder de julgar e comparar e o nosso poder criativo. Podemos fazer isto como indivíduos, como pontos com alma.
E eis que chega o terceiro dragão, o pior deles todos — a nossa tendência de pertencer a grupos, de ter um partido político ou uma igreja que pense por nós, de consultar ou seguir professores e gurus, numa palavra, de engolir a vida como criança chupa o leite do biberão. Na realidade nós somos piores, porque no nosso caso o leite já está digerido. Está alerta em relação a dinâmica dos grupos e de invenções skinnerianas similares. Tu podes, com certeza, conviver com os outros, mas nunca seres os outros. Eles podem ser muito bons, mas tu és sempre melhor porque és diferente e o único com as tuas características.
Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as tuas ideias políticas, não as ideias do teu partido;  O teu comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de toda a humanidade, não os interesses de uma parte dela. E lembra-te que "parte" é a etimologia de "partido".
O mesmo se aplica às igrejas, se tens uma religião que não é a principal religião para mais ninguém, como um objeto é principal para todas as palavras que ela possa significar em todas as nossas linguagens. Está de sobreaviso  em relação a gurus e outros líderes carismáticos. A atração pessoal é o seu esconderijo e nada pode ser pior do que ela para a liberdade de atuar e pensar.  Se possuis ou estás possuído, então estás perdido. Neste caso só o amor te poderá salvar. E amor é raro, raro e frágil, frágil e rápido — Agostinho da Silva, " Três dragões ", 1973, in "Textos e Ensaios Filosóficos II", pp. 293-294.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Minha Pátria está doente

Isto é um excerto do questionário OTES-Observatório de Trajectos de Estudantes do Ensino Secundário, feito pela DGEEC- Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que está a ser aplicado a todos os alunos que completam agora o 12° ano.



segunda-feira, 13 de junho de 2016

Orlando

Orlando é o biografado num romance de Virgínia Woolf, dos anos 20. Não o surpreende continuar vivo desde o tempo de Isabel I nem aquele dia em que acordou mulher, durante uma viagem à Turquia e em que a vida continuou, com roupa nova!
A palavra "sincronicidade" foi criada por Jung para as coincidências com significado. Orlando é o nome da cidade da Flórida onde, ontem, se passou o maior crime de fanatismo homófobo nos Estados Unidos da América: meia centena de mortos e outros tantos feridos.
Donde vem a homofobia? Estudos já antigos e confirmados (a sociologia é feita com estatísticas), mostram-nos o afecto e a sexualidade humana dirigindo-se para ambos os sexos e distribuindo-se com a habitual curva de Gauss. As culturas patriarcais proíbem a homosexualidade e, como dizia Bernard Shaw com ironia "as pessoas inteligentes adaptam-se"! 
Uma lei fundamental da psicologia é que "a frustração leva à agressão". Há quem acredite na narrativa patriarcal de que o normal é pertencer à cauda "boa" da curva de Gauss e se sinta frustrado ao sentir em si mesmo afectos "anormais". Essa frustração leva a auto-agressão e/ou a homofobia. Quanto mais patriarcal a sociedade (o criminoso era afegão) maior o ódio aos que são diferentes da pseudo-norma.
Ao ponto de dar a vida pelo ódio.

A sabedoria contemporânea é milenar: sentir compaixão por quem odeia.
Mas, quando Obama diz a frase cristã, "amemo-nos uns aos outros", referido-se aos americanos, procurando que o medo não destrua a cultura de liberdade do seu país, deixa a porta aberta para odiar os que são de culturas diferentes, neste caso mais homófobas, os países islâmicos em geral. Deixa a porta aberta para a guerra, o contrário da compaixão. Ora não se combate a violência com violência! ... Mas tampouco com cobardia!

Estamos num tempo análogo aos anos 30, em que os nazis começaram a tomar conta da Alemanha e do mundo, pelo medo. Anos em que Churchill batalhava, nos Comuns, contra o desarmamento ingénuo dos governos de então.

O amor ganhará sempre ao medo mas a parte mais irracional da humanidade costuma ser a que melhor se organiza, militarmente.
Respeitemos quem é homófobo, xenófobo, mesmo racista, mas exijamos que cumpra as leis nacionais e internacionais, os direitos humanos. E "não há Direito sem força", convém não esquecer!

Palas Atena, Museu do Vaticano, cópia da estátua de Fídias

terça-feira, 7 de junho de 2016

Saturno, a "má fortuna", a pouca sorte

 A Astrologia é um assunto fascinante, que o Iluminismo ensombrou durante séculos, mas que, ido o seu poder despótico sobre as gentes, se pode ver de novo -- e melhor que antes!

"Erros meus, má fortuna, amor ardente", soneto de Camões, aqui cantado por Amália, fala da dor, que atribui, antes de mais, aos seus erros, mas também ao desdém pelos conselhos do prudente Saturno, à época considerado "maléfico", a má fortuna, e, homem do Renascimento, Camões conhecia a Astrologia e decerto sabia que tinha nascido com Saturno em Peixes -- a isso atribuía a sua sensibilidade à dor... E amor ardente, porque, no horóscopo de Luís Vaz (segundo Mário Saa), a deusa do amor, Vénus, está pertinho do Sol (em "conjunção", em Astrologia) e ele deve ter sido um homem muito chegado à deusa, muito consciente do amor!
O que ele não sabia, porque Urano só foi descoberto no século XVIII, é que este símbolo da Liberdade, do "atrevimento", estava em "bom aspecto"(a 120º, em trígono, em Astrologia) com Vénus e o Sol: o poeta não sabia porque se atrevia a amar -- ardentemente -- frutos proibidos, sabendo dos remorsos que o seu Saturno em Peixes lhe traria.

Nestes dias o Sol opõem-se a Saturno, nos céus, faz isso todos os anos, claro, mas este ano vale a pena aproveitar o Saturno "cheio", bem iluminado, visível de noite entre as constelações de Escorpião e de Sagitário. Que cuidados nos sugere? Que deveres nos aponta?
Creio que nos fala do dever de criar uma utopia concreta mas também do perigo do optimismo e do sonho -- que cruzam astrológicamente o nosso olhar. Dentro de uns dias, Marte, o outro "maléfico" dos antigos, passa por Saturno e, se houver violência no Mundo, Saturno diz-nos, como sempre, que as dificuldades existem mas que, com uma atitude sensata, responsável, prudente, mais dia menos dia, mais ano menos ano, criaremos um mundo habitável!
Saturno fotografado pela sonda Cassini

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Uma escultura nova no espaço público tirsense


O restauro do museu Abade Pedrosa e a sua ligação, por uma entrada comum, ao novo museu é um exemplo da arquitectura de Alvaro Siza, do respeito pelo sítio, do qual parte o projecto, simultâneamente discreto e uma imponente “escultura ao ar livre”. Ganhou a velha hospedaria do mosteiro, hoje museu Abade Pedrosa (vê-se o alçado que recuperou a simetria e, dentro, as madeiras voltaram a ser pintadas, como no século XVIII) e ganhou a cidade de Santo Tirso, com um novo edifício que lhe trará visitantes e prestígio.
Parece que foi caro; mas, por uma vez, creio que o valor da obra para a cidade amortizará o fatídico “terço”, que deve ser o último, os tempos são de mudança.

sábado, 14 de maio de 2016

Volta breve, Dilma!




Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, é o filme favorito do Festival de Cannes, este ano. Feito antes do "golpe" burocrático que destituíu Dilma da presidência, conta a história de uma jornalista musical reformada, Clara (Sónia Braga, que criou Gabriela, há tantos anos!) que se recusa a ceder à pressão das imobiliárias para que seja destruída a sua casa, no Recife. O elenco aproveitou o palco de Cannes para dizer ao mundo que a democracia não existe actualmente no Brasil.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Hail Caesar, o último filme dos irmãos Coen


As nossas imagens mentais são caricaturas -- exagerámos o que vemos mais, esquecemos coisas, colorimos tudo com o que sentimos. O pintor caricatura-se, ao caricaturar.
A caricatura de Hollywood de 1950 é feita a partir de um dia, imaginado, de Eddie Mannix (por Josh Brolin), personagem que existiu, o chefe que resolvia todos os problemas dos estúdios para que o filme se fizesse. O resto é ficção no limite do verosímil, caricatura de um bom documentário da época, com as cores saturadas do Technicolor a dizer o grande carinho, lúcido, que estes cineastas têm pelos seus antepassados na arte; e por aquele tempo, por todos os seus clichês. É a arte, a técnica, a informação histórica e a poesia numa dança rigorosamente coreografada. Muito interessante!

sábado, 30 de abril de 2016

Sobre as lutas políticas no nosso tempo.

Donald Trump, um americano xenófobo e mesmo racista, da "direita" que até os conservadores incomoda, arrisca-se a ser Presidente dos Estados Unidos da América! Como aconteceu isto?
-- Desde há mais de 20 anos que ele aparece na televisão a dizer as suas "ideias" e, no nosso tempo, é eleito quem for mais conhecido, leia-se, quem entrou em casa à hora em que as pessoas se sentam no sofá; é mais fácil votar em quem se conhece que ter que analisar os programas políticos.

O poder político, que, em todo o Mundo, está nas mãos de uma oligarquia financeira, exerce-se, sobretudo, usando os meios de comunicação. Assim como, a longo prazo, uma criatura conhecida se torna elegível, também, se continuamente massacrada nos meios de comunicação, se torna persona non grata do público. É o chamado "poder dos media". Só que, hoje, ele chega para fazer da democracia representativa o que bem entender -- uma fantochada!
Porém, as pessoas procuram informação independente e os media procuram manter essa imagem de independência, de objectividade; este é o tempo da imagem: qual o jornal, ou a televisão, ou o político que não se apresenta como informado, democrata, independente -- que não cuida da sua imagem? Até há serviços de imagem, muito bem pagos, onde trabalham "sociólogos" e todo o tipo de "especialistas".

Dilma Vana Rousseff, Presidente eleita do Brasil
O caso da campanha para a destituição da Presidente do Brasil é gritante. Paradoxalmente, por ter extravasado os limites da decência, o poder financeiro/político/mediático pode ter ajudado a que as pessoas trilhem o único caminho que leva à Liberdade: a razão, a procura de informação fidedigna, de factos, a análise objectiva possível, a reflexão.
Só com um número suficiente de pessoas razoáveis se pode ter um poder político que ajude o país.

Substituir a honesta Dilma pelo seu corrupto vice-presidente é um absurdo que, a acontecer, mostra o poder desmedido dos "fabricantes de audiências", das técnicas "científicas" de manipular emoções.

E faz-nos pensar na necessidade de mudar as regras. De criar a democracia!

 4 de Maio: um artigo a propósito

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O regresso à normalidade

Faz 42 anos que recuperámos a liberdade política, na maior festa nacional de que me lembro!
Criámos uma Constituição que garante os direitos humanos e o primado do poder político democrático sobre o poder económico, oligárquico.
O Mercado Comum Europeu tinha sido nosso aliado na luta política para chegar a 25 de Abril de 1974 e entrámos, confiantes, na Comunidade Económica Europeia, onze anos depois.

Mas, hoje, o poder financeiro domina o Mundo e domina Europa; a luta pela liberdade ganhou uma escala global. Enquanto a ciência e a técnica criam riqueza e informação como nunca as houve, os povos empobrecem e a desinformação submerge as consciências como nunca o fizera.

A moeda única europeia, uma criação da oligarquia internacional, é produzida no Banco Central Europeu, “independente do poder político”; leia-se, “propriedade da oligarquia". 
A recuperação da liberdade política, globalmente, passa pelo poder político democrático (democracia directa) cunhar moeda. Antes disso vivemos em oligarquia, mesmo os que disto não são conscientes!

A madrugada anuncia-se, porém. Podemos e devemos acordar!



Em 1992, o capitão Salgueiro Maia deu uma entrevista que é muito esclarecedora.

A normalidade da nossa Assembleia da República, hoje, é um bom sinal.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O fabrico da "mayonnaise"

Dizem que não se pode estar nervoso para fazer maionese. Ao ovo acrescenta-se azeite e vai-se batendo a mistura, de uma forma contínua, persistente.
Há quem diga que os direitos humanos são coisa da nossa cultura, que deveríamos respeitar as culturas machistas, por exemplo, que fazem uma hierarquia de género. Mas os direitos humanos são universais, são uma  ambição genuína, a ambição da Paz, que só se pode atingir respeitando-nos uns aos outros. É um caminho que se está a fazer e que custa -- como, agora, aos angolanos presos por razões políticas. Os direitos humanos foram aceites por todos os países porque fazem mesmo sentido!

Estes refugiados que atravessam Europa a pé, alguns deles dando a volta à Suécia pelo Norte, para chegar a Noruega, passando para lá do Círculo Polar Ártico, em regiões geladas, impressionam-nos porque a mulher vai descalça e é quem leva as crianças! Sentimo-los como muito diferentes de nós, indignamo-nos mas eu lembro-me das mulheres portuguesas andarem descalças, carregando cestos à cabeça, pela estrada fora; uma lei obrigou-as a andar calçadas e muitas resistiam usando só um chinelo, para evitar a multa. A emancipação da mulher é um milagre recente, em Portugal. Quando vejo os europeus indignados, dizendo que “esta gente" não é integrável, lembra-me aquelas pessoas que se arrependem de ter convidado alguém que não desdobrou o guardanapo, esquecidas de como seriam alguns dos seus bisavós.
Acho mais razoável indignarmo-nos por eles virem a pé, por termos governos que os acolhem mal e que não souberam oferecer-lhes um bilhete de comboio! Conversemos com os refugiados, não com o seu guardanapo, porque o seu antiquado machismo não resistirá ao tempo.
Trajo tradicional tirsense
Integrar não é pedir que sejam iguais a nós, é misturarmo-nos, aprendendo e ensinando. Sabendo que demandam Europa fugidos à guerra (que lhes criámos!) mas também porque, cá, esperam que se respeitem os direitos humanos.
Bom! -- caminha-se para esse objectivo, que atingiremos, com persistência e esforço.
Se descansarmos a meio, a maionese "destalha"!

Alexandre Magno, aluno de Aristóteles, respeitava os povos conquistados. Alexandria, no Egipto, com a sua fabulosa biblioteca, foi, estando em África, a capital da cultura "europeia", durante séculos; o helenismo foi uma maionese bem sucedida, na ciência e nas artes. Destalhou; mas a maionese destalhada deve ser deitada sobre nova gema, devagar, como se fora azeite... Ainda há pouco defendíamos o martírio, os cristãos, éramos fundamentalistas, queimávamos hereges em fogueiras; baptizávamos os pretos à força e trazíamo-los como escravos, para longe da sua terra...
A mulher que vem descalça espera encontrar entre nós respeito, igualdade, tolerância...
Elas talvez sejam a nova gema de ovo, a nova semente, de que precisamos para transmutar o grosseiro materialismo em que destalhámos, quiçá esquecidos de ler o materialista Voltaire, advogado da tolerância (et pas mal de français en profiteraient, eux aussi!).

Ou, se a tolerância para com os nossos disparates no Médio Oriente no-lo permitir, talvez sejamos, os europeus, a gema, a semente, que, regada, devagarinho, pelos refugiados, nos transmute a todos, qual maionese bem sucedida, cujo brilho ofusque a memória do farol de Alexandria! Com calma e com persistência, sem parar de bater a mistura (foueter!), sem descanso até que esteja pronta, a civilização greco-romana-judaico-cristã-muçulmana. Que foi "caldeada" no Egipto e na Índia e respeita, sem hierarquias, todos os povos do mundo.
Os portugueses sonhámo-la pelo menos desde D.Dinis, “que fez tudo quanto quis”!
Desde que Portugal destalhou.

E há tanto que fazer, que “bater”:


charity: water promo featuring "Time Bomb" by Beck from charity: water on Vimeo.

quarta-feira, 30 de março de 2016



Os sonhadores são tratados com condescendência, ninguém imagina que a solução dos nossos problemas passe pelo sonho. Mas passa: o sonho é a semente do futuro.
E, se nos esquecermos de sonhar o que queremos -- acontece o que tememos.

O sonho de todos os humanos é viver em Paz, em abundância, Livres, claro (nem mesmo lembrando que houve tempo em que o não fomos), gozando as belezas inacreditáveis do planeta em que vivemos, encantados com a companhia de todos os outros humanos e criando o Paraíso vivo, eternamente perfeccionável...
E o medo dos humanos, seja onde for que vivamos, é o medo de que nos venham trazer a guerra e nos escravizem. Ora, é mesmo do medo que nasce a guerra e a miséria!

Se procurarmos ver o outro, que nos é apresentado como inimigo, como alguém que partilha connosco sonhos e medos, que nos espelha, como nós a ele, abrimos o caminho para o respeito, para o afecto e a compaixão, que a nós mesmos devemos, também, como a todos os amedrontados.

O encontro dos líderes portugueses das dezassete religiões mais importantes, na Mesquita de Lisboa, para rezar pela Paz, tendo como convidado o Presidente da República, enquanto símbolo de um país cuja Constituição as respeita a todas igualmente, encontro oficial de boa vontade, é um sonho realizado. É um exemplo para Europa, amedrontada com o Islão.
O sonho tem que iluminar o medo. Não o poderá eliminar mas pode-o integrar, reconhecer -- e pode-nos dar coragem, a virtude que, para Aristóteles, fica no meio, entre a cobardia e a temeridade.
E só na medida em que formos corajosos não desistiremos do sonho e evitaremos a guerra.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Povo irmão

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É nestas situações que se faz um referendo. A exemplo dos gregos, numa situação em que a oligarquia internacional estava movendo as suas armas económicas e mediáticas… Ela ganhou? -- Ganhou uma batalha, a luta continua!
O Lula é um herói que trouxe prosperidade ao Brasil. É provável que a direita brasileira ganhe esta batalha, a desinformação impera. Mas a luta continua. Se o PT cair, outras forças políticas hão-de aparecer e hão-de pensar em como acabar com a fome, a iliteracia, a falta de uma casa decente, os abusos policiais…
23 de Março: A coisa aí está preta!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Apelo à direita!

Portugal tem mais dívidas que activos e só dispomos de uma geringonça -- que é preciso pedalar, ainda por cima! Dá trabalho.
Ora, como se sabe, só a direita trabalha, neste país. O apelo à direita consiste em pedir-vos que pedalem, visto que nós somos preguiçosos, parasitas e outras coisas mais!
Se só souberem andar de BMW, se não quiserem pedalar, "a gente vai levando". Mas saiam da frente, não atrapalhem, se faz favor!

quinta-feira, 10 de março de 2016

A última frase escrita por Fernando Pessoa

O homem não deu ponto sem nó, os rabiscos que deixou sabiam que seriam encontrados (e quando!).
Donde que o último deles, escrito na véspera de morrer, possa ser a última pedra de uma grande construção.
“I know not what tomorrow will bring”

1. Podemos ler o Fernandinho assustado que não sabe o que vem depois da morte.
2. Podemos ler o escritor que se armou em profeta e nos quer dizer que só estava a escrever, a fingir.
3. E podemos ver o sábio que resume o que sabe.

Passamos a vida a desejar coisas que aconteçam e a reagir, desde com birras até com estoicismo, a que não aconteçam como as desejámos. E se desejássemos não saber o que acontece? Se aceitássemos o que não sabemos que queremos como o que queremos?
Só quando não sabemos o que vai acontecer amanhã estamos vivos.
“Não sei o que o amanhã trará” pode ser saber que se quer cumprir o destino e que se o não conhece.

EPITAFIO DE BARTOLOMEU DIAS

Jaz aqui, na pequena praia extrema,
O Capitão do Fim. Dobrado o Assombro,

O mar é o mesmo: já ninguém o tema!
Atlas, mostra alto o mundo no seu ombro.


s. d.
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 
(Lisboa: Ática, 10a ed. 1972): 64.


quarta-feira, 9 de março de 2016

Algures no Oceano Pacífico, neste momento, pode-se ver um eclipse total do Sol.
Desde sempre é um símbolo de renovação.
O Sol está em Peixes, desde Ptolomeu o signo solar de Portugal. O Chefe de Estado sai e vem outro, parece que o Sol nos pisca o olho! Júpiter está grandioso no céu nocturno, muito iluminado pelo Sol, que está exactamente do outro lado da Terra.

Para mim é tempo de optimismo. A religião que acredita na “mão invisível” está em declínio, sai de cena o seu sumo-sacerdote, acaba o nevoeiro, Portugal renasce. Temos uma geringonça nova, somos desenrascados e o mundo precisa do nosso optimismo. Deixemo-nos de melancolias. É a hora.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Sobre a tragédia dos refugiados

Durão Barroso, Tony Blair, George Bush e José Maria Aznar nos Açores, em 2003
Em 2003, o Presidente dos Estados Unidos da América, não conseguindo autorização da Organização das Nações Unidas para invadir o Iraque, que ele “temia” tivesse armas de destruição maciça (“sabe como são os políticos”), conseguiu o apoio dos primeiros ministros da Inglaterra, Espanha e Portugal e lá foi fazer terrorismo para o Iraque.
O problema para Europa não são as centenas de milhares de iraquianos que morreram -- “o que não tem remédio remediado está”! -- mas as consequências da destruição do Estado Iraquiano, sobretudo o aparecimento do Estado Islâmico, uma resposta organizada ao terrorismo americano.
E, sobretudo, o número de refugiados que demanda Europa.
Este ano, que ainda não tem dois meses, têm chegado a Lesbos perto de duas mil pessoas por dia! Se é assim no Inverno, quantas serão na Primavera? Em 2015 foram mais de 800.000, quatro vezes mais que no ano anterior; este ano serão mais de 3 milhões, quiçá. E já morreram 400 pessoas numa travessia de menos de meia-dúzia de quilómetros, da Turquia para a Grécia, no pacífico mar mediterrâneo. 
É claro que Europa tem capacidade para organizar um ferry-boat confortável que acabe com tão absurda mortandade. E não o faz!

Os europeus sentem medo, porque muitos dos sírios são muçulmanos e os meios de comunicação, que não tratam os senhores da fotografia acima como terroristas, nos sugerem ser o terrorismo uma idiossincrasia muçulmana. Portugal também tem quem imite os europeus e tema -- mas, como lembrou recentemente António Guterres, somos o único país de Europa em que a xenofobia não é assunto político e em que não houve partidos que disso falassem, para angariar votos -- não rende!

Somos muitos, como ontem se viu, na manifestação, que gostaríamos de ver Portugal a dar o exemplo a Europa. Recebemos meio milhão de refugiados, há quarenta anos, os retornados, e foi “uma história de sucesso por contar”. A nossa população aumentou 5%, tranquilamente, quase de um dia para o outro. 
A União europeia tem mais de 500 milhões de habitantes, e 5% de 500 milhões são 25 milhões. Se toda a população da Síria se metesse a caminho não chegava a esse número.

Temos, em Portugal, mais de um milhão de habitações fechadas, perdidas para os bancos pelos seus donos, surpreendidos pela “austeridade” e incapazes de pagar os juros. Muita gente pensa que o nosso governo poderia fazer um acordo com a União Europeia e com os nossos bancos, que decerto gostariam mais de receber uma renda pequena que de continuar à espera de um milagre. E os refugiados sírios, além de terem algum dinheiro têm competências para trabalhar, quiçá para criar empresas… 

Criemos uma ponte marítima, da Turquia para Portugal, ou, pelo menos, para a Grécia. Sejamos a nossa alma, não o medo importado de Europa. Lembremo-nos de toda a nossa História, das inúmeras migrações, de fora para dentro e de dentro para fora.

Uma prova de que os meios de comunicação nos não informam é o testemunho de esta cristã, sobre Alepo:  http://youtu.be/Xb959nKgtZg

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Princípios

O critério do lucro tomou conta da estrutura social, desde há umas décadas. É a consequência do desaparecimento das regras que mantinham os bancos no seu papel social, que aconteceu com o fim dos Acordos de Bretton Woods, com o célebre discurso de Nixon em 1971, em que suspende, “temporariamente” a convertibilidade do dólar em ouro.
O valor de qualquer acção política foi passando a ser medido pelo lucro que dê e a oligarquia financeira bombardeia-nos sem descanso com a afirmação de que o Estado nada deve gerir porque é intrinsecamente incompetente.
Foi pela mão do ainda presidente da República que as ideias da Sra. Thatcher entraram no nosso país e a mania das privatizações nunca mais parou. Primeiro os Bancos, claro, muitos se lembram de António Champalimaud a comprar o Banco Totta com um cheque do Totta! A Electricidade, as barragens, a sua rede de distribuição (milhares de postes pelo país por 750 milhões de euros) a Televisão e as Telecomunicações, os transportes, a TAP, a Saúde… foi a desresponsbilização do Estado.
E eis-nos no anunciado paraíso, o paraíso dos donos do dinheiro, do lucro.
Os parlamentos estão nas mãos da oligarquia financeira, que os consegue comprar com subtis -- ou menos subtis -- manipulações e, por isso, sabe bem ver alguns deputados que ainda o são, como nestes um minuto e quarenta segundos, mais importantes para Portugal que tantas horas de retórica:


11 de Fevereiro de 2016
 Disse-me ontem um jurista responsável que uma lei não pode estabelecer a sua irrevogabilidade. Numa próxima legislatura a lei pode ser revogada e a água pode ser privatizada.
 Por outro lado, a Constituição não permite esta privatização. Mas a interpretação da Constituição depende da maioria, embora o Tribunal Constitucional possa ter uma palavra.
" Não há direito sem força ". Não nos podemos desresponsabilizar de votar bem.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Museu de escultura ao ar livre

O escritório do Arquitecto Alvaro Siza, em colaboração com Eduardo Souto Moura, projectou um edifício, ligado ao Mosteiro, para apoiar o Museu de Escultura ao Ar Livre, que se distribui pelos jardins de Santo Tirso.
O enorme brasão da Ordem Beneditina, que domina o alçado sudoeste do Mosteiro, deve ser a primeira “escultura ao ar livre” de Santo Tirso. Só ali, a rematar o edifício, num alçado simétrico, a podemos sentir em harmonia com a envolvente, natural, gostemos ou não do barroco “bracarense”. 
Mas estas construções degradam-se, se lhes não for dada outra função, idos os frades. A Câmara funcionava ali, quando eu era pequeno, antes de ter subido para casa própria, nos anos 50. E, creio que ainda no século XIX, tinham ali criado uma porta, com a imponência possível, para não terem que descer e tornar a subir -- era funcional. 
Mas lembro-me de como aquela entrada, que destruía a simetria e “desproporcinava” a dita escultura, me parecia horrenda, pretensiosa e disforme, lembro-me de me sentir envergonhado mesmo, porque os visitantes gabavam a vista do parque, para a Igreja e para a outra margem, e ali estava aquilo, impossível de esconder. 
O museu Abade Pedrosa continuou a usar essa entrada, por ser funcional, e só agora arquitectos caridosos a retiraram, restaurar é ser cristão!

O novo edifício só toca o Mosteiro num ponto, contrasta a sua simplicidade e assimetria com ele -- e respeita-o. 

Espero que abra brevemente, será a terceira obra de Siza Vieira em Santo Tirso. Talvez poucos conheçam a primeira, a casa para o irmão, que trabalhava na Fábrica do Arco, um herói que deixou aquele rapazito projectar uma casa cheia de ângulos agudos, quase inabitável -- mas que lhe deu asas!

A casa da eira, ao fundo
Haverá miúdos que sofrem ao ver as portas de vidro e o betão da cobertura da casa da eira da Escola Agrícola (e os acrescentos)? Conheço muitos graúdos que sim! Era o mais belo edifício de Santo Tirso, uma maravilha da arquitectura do milho, uma história de etnografia em pedra. Foi um crime, a reconstrução -- não sei quem foram os responsáveis mas trataram-no sem caridade alguma!
Sou optimista e creio que os sofredores não terão que esperar 60 anos por  algum arquitecto caridoso e afortunado o suficiente para poder ir contra o senso comum. O senso comum já era!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente de todos os portugueses é um conservador. “Esperemos que nos surpreenda”, como disse Henrique Neto. O progresso faz-se com um equilíbrio dinâmico entre as forças de mudança e as de conservação. Fez um belo discurso de vitória e não há dúvida que os portugueses o querem como Presidente. Se compreender a necessidade (que é mundial) de domesticar, pelo menos, a oligarquia financeira internacional, quem sabe se a sua, bem demonstrada, “ciência política” nos poderá ser útil para ajudar a mudar as regras de Europa… e do Mundo!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Marisa Matias

Vi, agora, uma entrevista com a Marisa Matias, e vejo-a como uma pessoa decente, do melhor que Portugal de hoje produz. Não fora o meu receio de que Maria de Belém seja a mais votada dos adversários do Professor Marcelo, o que nos roubaria qualquer esperança na segunda volta, eu não votaria em António Sampaio da Nóvoa mas em Marisa Matias. Mas “o óptimo é inimigo do bom” e a estratégia dos democratas deve ser a de votar em António Sampaio da Nóvoa. Porém, que bem representados na presidência da República estariam os portugueses se Marisa Matias pudesse ganhar estas eleições!

sábado, 9 de janeiro de 2016

Sobre as eleições presidenciais


Os blogs aparecem quando alguém sente necessidade de dizer o que pensa e pensa que lucramos quando vemos, ao ler um artigo, a partir de um ponto de vista diferente do nosso. Porque não há dois pontos de vista idênticos e vemos mais se usarmos muitos pontos de vista. Vemos mais mas só vemos melhor se melhorarmos a percepção. Não nos basta a informação, não nos basta conhecer muitas opiniões, é preciso fazer algo muito esquecido no nosso tempo (e até atacado, ridicularizado), é preciso “reflectir”. Aqui deixo o que penso:

Platão propõe, na “República”, que os filósofos, os que reflectiram, tenham o poder; era um adversário da democracia em que vivia, um aristocrata. 
Aristóteles, reflectindo sobre a necessidade de os que não têm privilégios terem algum poder na cidade, defendeu a democracia, que já agonizava, entretanto.
A democracia precisa de democratas, de gente que veja interesse em diminuir a distância entre os que têm privilégios e os que os não têm, dando à maioria o poder de fazer as leis, que se aplicam a todos.
Em Atenas as leis eram votadas de braço no ar, na praça, não eram votados representantes para as votarem. Eram propostas por um qualquer cidadão. Os cargos eram sorteados mas não havia o cargo de fazer as leis – porque se o houvesse não haveria democracia!

“Democracia representativa” é uma contradição nos termos, pois se o poder legislativo pertencer a um grupo, que tem esse privilégio, não há democracia.
É o “pior dos sistemas possíveis, com a excepção de todos os outros”, na conhecida frase de Winston Churchill, que lutou por ela contra Hitler porque a alternativa seria perder a liberdade e sabia que só somos livres se a nossa Pátria for livre. 

Nós, os portugueses, abraçámos Abril com um entusiasmo inesquecível:


Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo 
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

A democracia real é a nossa Utopia, é para onde caminhamos, pelo menos desde D. Dinis, “que fez tudo quanto quis” -- temo-la no sonho da alma. A Constituição que nasceu de Abril, em total liberdade -- embora tenha sido alterada, porque a democracia representativa representa, sempre, o poder real, financeiro, que modifica as leis a seu favor -- a Constituição é o nosso caminho, pacífico, para a nossa democracia, para a nossa Utopia.
Vamos eleger o supremo garante da Constituição, o supremo magistrado da Nação, o comandante supremo das Forças Armadas. O Presidente da República Portuguesa não deve ser alguém que quis consertar Abril mas alguém que ainda o traga no coração.
Embora, se elegermos um democrata, ele possa ser vítima da subtil manipulação da oligarquia, pelo menos temos, agora, a possibilidade de escolher uma pessoa em quem confiemos que saiba resistir. Dificilmente um adversário do status quo, da oligarquia financeira internacional, a qual manipula nações, instituições, políticos e consciências individuais, poderá ser eleito. Mas é possível. E é o nosso dever para com um povo inteiro (praticamente todos votaram, nas eleições para a Assembleia Constituinte) não correr mais riscos de perder Abril.

O poder que há não se exerce proibindo a informação mas sobrecarregando-a, permitindo o caos informativo, aparentemente livre mas sujeito a um “atractor” que o organiza: o sistema, a oligarquia.
Aparecem-nos alguns candidatos e, sempre, pelo menos dois candidatos do sistema, pessoas que tiveram uma grande visibilidade mediática durante anos e que levam o lado preguiçoso do nosso cérebro a votar neles, já que os conhecemos e se apresentam como “democratas” e experientes.
É exactamente a “experiência política”, vista pelo senso comum como uma vantagem, que deve ser lida como uma vantagem a favor dos que têm a vantagem de ter o poder financeiro e legislativo. Uma desvantagem para os mais desfavorecidos, que votarão, se distraídos, em quem os não irá representar mas à oligarquia!

Para o caso de Marcelo Rebelo de Sousa não vencer na primeira volta, não ter mais de metade de portugueses a votar nele, o sistema colocou nestas eleições Maria de Belém, que receberá, inclusivé, votos de apoiantes de Passos Coelho, o qual se opôs estrategicamente a Marcelo, para lhe propiciar os votos dos descontentes com o governo anterior. Aqui peço desculpa ao leitor ingénuo mas a oligarquia não brinca em serviço, gasta milhões em estudos estratégicos que são para ela, simplesmente, um investimento.

Depois de ver o debate televisivo entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Sampaio da Nóvoa, mais este me parece o melhor candidato democrata, com uma possibilidade de derrotar Marcelo, o candidato da oligarquia (malgré lui? – não!, ele sabe o que faz), numa segunda volta. É preciso que António Sampaio da Nóvoa tenha mais votos que Maria de Belém, para que não seja uma segunda volta sem esperança. Aqueles que acreditam que “não há alternativa” à submissão ao sistema têm e terão todos os direitos no Portugal de Abril -- mas os eleitores, se refletirem, não escolherão um deles!

Se acaso o nosso governo tiver a coragem de se aliar aos outros países explorados para propor à União Europeia uma mudança das regras que nos levam a dar perto de dez milhares de milhões de euros, por ano, em juros, aos grandes bancos do Norte de Europa, convém que o nosso Presidente da República não seja dos que acharam que esta nossa situação “não tem alternativa”. Porque ela, a continuar, nos levará à miséria.
A esquerda da direita

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Sol em Capricórnio

 O Zodíaco é uma faixa de céu, que envolve a Terra e por onde se vê “passarem” o Sol, a Lua e os planetas do sistema solar. As estrelas fixas dessa faixa servem de mostrador onde os ciclos desses símbolos, que são os planetas, se podem ver. Cada 30º dos 360º dessa faixa tem um nome, é um símbolo, também. Diga-se que o mostrador também se mexe, muito devagarinho, e que o Sol, desde hoje (e durante um mês) a passar pelos 30º da faixa zodiacal a que se chama Capricórnio, é visível perto da constelação de Sagitário, porque o mostrador, as estrelas “fixas”, se “deslocaram”, à vista, em quatro mil e tal anos, cinquenta  e muitos graus para a esquerda: chama-se a a isto a precessão dos equinócios.

No ciclo do Sol, que é de um ano (assim como o da Lua é de 28 dias ou o de Júpiter de 12 anos) este mês é aquele em que o Sol, que simboliza a vida e a nossa consciência, “ilumina” os 30º de Capricórnio, o qual simboliza as instituições sociais, como a Família, a Igreja, o Estado, os clubes de Futebol -- até os bancos podem ser vistos como instituições! É o tempo do ano em que tendemos a ser mais rigorosos, mais exigentes, mais sérios -- porque vem aí o Inverno, temos que ser realistas!

Este ano, hoje, dia do Solstício, em Portugal, tomámos consciência da instituição governo e de que tínhamos entregado a gestão dos nossos parcos recursos, no ano passado, a uns malabaristas incompetentes, que, por exemplo, os “emprestaram” a um banco falido, o Banif e, claro, perdemos os ditos recursos, os tais “cofres cheios” de dinheiro emprestado para as aflições. Ficámos com as dívidas e com os seus juros.

É claro que o Estado não pode salvar todas es empresas em risco de ir à falência: e nem as que têm interesse estratégico tem salvo. Então porque já vai no terceiro ou quarto banco que tenta salvar -- sem conseguir? Cada um fica por milhares de milhões; não seria melhor ter escolhido as mercearias que têm falido, por exemplo, sendo que nem toda a gente tem carro para ir às “grandes superfícies”?
Nestes trinta dias, a partir de hoje, podemos facilmente tomar consciência de que temos que exigir contas àqueles a quem entregamos a gestão dos nossos parcos recursos. Temos, cidadãos, que controlar as contas do Estado -- incluindo nisso as contas das Câmaras Municipais!
Ábaco chinês

E o mundo em que vivemos, a a forma como a oligarquia nos vai levando, como vão mudando as regras nas nossas costas

Liberdade

Liberdade

Explosão de uma estrela



A NASA publicou este vídeo da explosão de uma estrela, a 1200 mil milhões de anos, vista com o telescópio Kepler

Imagine

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Herbie Hancock’s “Imagine”
“The spirit of jazz is the spirit of openness” H. Hancock

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libertem-nos!

libertem-nos!
Libertem-nos, já! Parabéns ao Luaty por ter escolhido a Vida!

Só temos uma Terra

Só temos uma Terra

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Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis

A ciência baseada no observador

Portugal 2014:

Pior do que ter um ex-Primeiro-Ministro preso é ter o actual à solta!